Bag-in-Box: vinho em caixinha pode ser uma boa opção?

O que é Bag-in-Box? Em poucas palavras, quando falamos do BiB (como será chamado daqui em diante) estamos falando de uma espécie de bexiga ou saco de plástico (geralmente feita de polietileno de baixa densidade) que vem cheio de vinho, equipado com uma torneira e que fica armazenado dentro de uma caixa de papelão. O conceito é simples e traz uma série de vantagens e, também, algumas desvantagens, como veremos a seguir.

Por muito tempo foi associado a vinhos baratos e de qualidade inferior. Um dos motivos para tal é o volume, já que contém entre três e dez litros, dando a impressão de algo mais popular ou rústico, na mesma linha do garrafão de vidro. Porém, este conceito está mudando, obviamente tendo em mente as limitações que este formato proporciona.

Um pouco de história

E não é uma invenção recente. Suas primeiras versões foram criadas na Austrália na década de 1960. Thomas Angove, um dos sócios de uma vinícola australiana, teve em 1965 a ideia de um saco plástico selado para transportar vinho dentro de uma caixa de papelão. Ele teria sido inspirado por “peles de vinho” criadas por pastores gregos da antiguidade, que usavam bexigas feitas de tecidos de animais para carregar vinho, sem que ele se oxidasse com o contato com o ar.

A ideia foi patenteada e novas versões, mais modernas e eficientes foram surgindo. Entre elas, destaque para a lançada pela Penfolds (outra vinícola australiana) que incluiu uma torneira, que permitia a saída do vinho, porém sem deixar que o ar retornasse para dentro do saco plástico. Este formato se tornou muito popular na Austrália, e cerca de metade do volume de vinho vendido na Austrália em 1980 era em BiB. Esta proporção caiu, mas está voltando a crescer nos últimos anos.

Uso crescente

Embora consumidores em grande parte do mundo ainda se mostram reticentes quanto ao seu uso, em alguns países o BiB é muito popular. Em países como Suécia, Noruega, Eslováquia, Austrália ou Nova Zelândia, vinhos vendidos em BiB chegam a superar 30% do volume total de vinhos vendidos, com destaque para os dois primeiros, onde supera 50%.

Mas as consequências do isolamento causado pelo COVID-19 podem acelerar esta tendência. A rede de supermercados Sainsbury’s, uma das maiores do Reino Unido, reportou que as vendas de vinhos em BiB saltaram 41% em relação ao ano anterior no período do confinamento, sendo 28% dos que os compraram tinham entre 25 e 34 anos.

Vantagens

A primeira vantagem ao consumidor é a questão preço. As embalagens BiB são 30% a 45% mais baratas em relação às opções convencionais, como vidro.  Além disso, são mais leves e de um formato mais amigável, o que reduz os custos gerais de transporte e manuseio. Assim, o mesmo vinho pode ser oferecido a um custo mais baixo.

Outra vantagem é a questão da conservação. Os materiais usados nos sacos de plástico e a tecnologia das torneiras ajudam a estender a vida útil do vinho. Um fator fundamental para a conservação do vinho é a taxa de transmissão de oxigênio (OTR) da embalagem. No caso do BiB, ela é mais baixa que as garrafas de vinho depois de abertas. Deste modo, você pode manter o vinho “aberto” (na verdade ele está bem protegido dentro da sacola) por muito mais tempo do que em uma garrafa aberta, sem que ele perca suas qualidades.

A praticidade também deve ser levada em conta. Você pode deixar a caixa na sua geladeira, já que seu formato é mais compatível. Também facilita muito na questão de quantidade e momento de consumo: você pode tomar a quantidade que quiser na hora que quiser. Assim, não se preocupa como ocorre com garrafas, quando sempre há um incômodo em deixar vinhos nelas para consumir depois de alguns dias. Diversos produtores indicam que os vinhos em BiB mantêm a mesma qualidade por até quatro semanas.

É também mais fácil de abrir que as tradicionais garrafas com rolha, já que não requer o uso de qualquer ferramenta, como um abridor. Além disso, se você beber mais da conta, uma vantagem adicional: se deixar cair o BiB, ele não quebra, como acontece com a garrafa.

Desvantagens

Mas o BiB, obviamente, não é a embalagem perfeita para muitas situações. Em primeiro lugar, não é recomendado para vinhos que ganham com a evolução do tempo. O plástico tem um grau de permeabilidade que permite maior oxigenação do vinho que, por exemplo, uma garrafa. Assim, aparece como opção apenas para vinhos de consumo mais rápido, mais para o dia-a-dia.

Um segundo ponto é a questão do charme. Se já não bastasse a questão da falta daquele agradável estampido da rolha que já existe nas tampas de rosca, é difícil imaginar um jantar romântico servindo vinho a partir de uma caixa de papelão com torneira na mesa.

Mais uma opção

BiB chegou para ficar e está disponível em todo o mundo, inclusive no Brasil. Faz parte de um movimento de simplificação e menor custo de embalagens, que inclui iniciativas como tampas de rosca ou mesmo garrafas de papelão. Pode representar uma alternativa bastante prática para o consumo de vinhos mais simples, pelas diversas vantagens listadas acima. Porém, certamente não tem muito espaço no segmento de vinhos de guarda, pois não tem as características para tal.

Um ponto importante é a questão de percepção: por muito tempo foi associado a vinhos de baixa qualidade. Isso é muito mais preconceito que fato. Obviamente, vinhos de qualidade mais alta não estão disponíveis neste formato, mas isso não quer dizer que os vinhos que sejam disponíveis sejam piores que os equivalentes em garrafas, dentro da mesma faixa de preço.

A decisão é sua, mas sem preconceito

De forma geral, existe uma relação entre preço e qualidade de vinhos (aliás, como em qualquer produto), mas estar em BiB não implica que seja um vinho ruim. Considerando que estes recipientes são oferecidos em volumes superiores a três litros (se errar na escolha terá muito vinho ruim para beber), que tal uma ideia?

Cheque se este vinho tem equivalente em garrafa (possivelmente terá) e compre uma garrafa para provar e checar se gosta do vinho. Se te agradar, parta para o formato BiB e tente identificar se notou alguma diferença. Assim, você pode optar pela embalagem que mais te agrada, sem se preocupar com o vinho em si (que será o mesmo). Independente da experiência que tiver, a decisão de qual embalagem optar é sua.

Imagem: BiBoViNo

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