Brunellos di Montalcino mais maduros: o que esperar?

Last Updated on 18 de agosto de 2024 by Wine Fun

Brunello de Montalcino precisa de tempo para atingir o seu pico. Este foi a justificativa para uma pequena degustação com exemplares com mais de 15 anos desta denominação de origem. Lado a lado, quatro vinhos de safras muito bem-conceituadas: dois de 2004, um de 2006 e um de 1998. O que esperar destes vinhos?

Brunello di Montalcino 2006, Fattoria dei Barbi 14%

Fattoria dei Barbi é um dos pioneiros na produção de Brunello di Montalcino, elaborando vinhos desde 1892, apenas quatro anos depois da Biondi Santi. Seus vinhos costumam mostrar consistência e bom potencial de envelhecimento. E foi o caso aqui, um Brunello de muita tipicidade, com o inegável perfil de “rusticidade controlada” da Sangiovese e boa verticalidade. Coloração granada com média a alta concentração, trazendo aromas de frutas vermelhas e negras, terra seca e nota tostada. Palato bem seco, com alta acidez, corpo médio, boa estrutura e taninos presentes. Um vinho mais austero, com bom equilíbrio entre frutas e notas terciárias, foi um dos destaques da noite.

Brunello di Montalcino 2004, Pian delle Vigne Antinori 14%

Primeiro dos vinhos da prestigiada, porém não consensual, safra 2004. Antonio Galloni destacou muita inconsistência, curiosamente provando diversos vinhos de produtores altamente conceituados bem abaixo do esperado. Infelizmente, tive a mesma percepção aqui, um Brunello pesado e de baixa drinkability. Coloração granada de média a alta concentração, com notas balsâmicas, tostadas e de fruta negra e borracha. Na boca, um Sangiovese encorpado, de boa acidez e taninos intensos, onde fruta negra mais evoluída e álcool se fizeram presentes.

Brunello di Montalcino Alessandro III 1998, Il Patrizio 14%

De todos os vinhos degustados, aquele menos conhecido, porém de safra mais antiga e vendido na Europa em uma faixa de preço próxima dos dois anteriores, em torno de € 35 a 40. Foi a grande surpresa positiva, um Brunello de muita tipicidade e no seu auge. Coloração granada e média concentração, com olfativo bem terciário, marcado por notas terrosas, balsâmicas, com couro, erva seca e café. No palato, alta acidez, taninos granulosos e perfeitamente integrados, com corpo médio. Se mostrou elegante e vibrante, clássico e com boa profundidade, daqueles vinhos que a garrafa seca rapidamente.

Brunello di Montalcino 2004, Valdicava 13,5%

Se valor fosse um critério relevante, este vinho (que custa mais de € 140 na Itália) teria sido o grande nome da noite. Porém, mostrou algumas das mesmas características do outro exemplar da safra 2004, com muita extração e sem verticalidade. Coloração rubi de média alta concentração, com um olfativo que pouco lembrou a tradição de Brunello: fruta negra em compota, cereja negra e ameixa, com notas intensas de cedro. Pareceu muito mais jovem que os demais também na boca, pecando pela falta de integração, perfil de fruta e percepção de álcool, apesar de boa acidez e estrutura. A pergunta que ficou: será que deixará este “excesso de juventude” para trás e mostrará equilíbrio e drinkability ou faz parte da “geração de vinhos dos anos 2000”, onde estas metas parecem inalcançáveis?

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