Conheça melhor a classificação dos vinhos do Barolo

Last Updated on 13 de novembro de 2020 by Wine Fun

Há pouca dúvida que Barolo é uma das melhores regiões vinícolas do mundo, produzindo vinhos que despertam os sentidos de quem gosta de qualidade e elegância. Mas, como todas as regiões, Barolo não é homogêneo, apresentando diversos terroirs distintos.

Para tentar mapear melhor estas características, o Consorzio di Tutela Barolo Barbaresco Alba Langhe e Dogliani introduziu uma legislação específica. Este órgão, que disciplina as regras de produção das principais denominações da região, incluindo Barolo e Barbaresco, aprovou em 2010 o conceito de Menzione Geografica Aggiuntiva, ou MGA.

Destacar características do terroir

Este conceito, que pode ser traduzido como “menção geográfica complementar”, significa que um produtor pode agregar à denominação Barolo um termo indicando de forma mais específica a origem do vinho. Foi feita a definição de 181 áreas distintas, das quais onze referentes aos municípios que abrigam os vinhedos desta região, mais 170 nomes, geralmente se referindo a micro-regiões ou vinhedos.

Por exemplo, um produtor que vinifica seus vinhos a partir de uvas dos vinhedos de Cannubi, pode chamar seu vinho de Barolo Cannubi. Esta inclusão indica que as uvas são procedentes daquele que é considerado um dos melhores vinhedos do mundo.

Trabalho árduo

Mas chegar a este conceito foi um trabalho longo. O Conselho decidiu começar pela denominação Barbaresco, por ser menor em tamanho (com apenas quatro municípios), com a definição de 66 MGAs em 2007.

Em Barolo, a situação era mais complexa, pois havia interesses comerciais mais consolidados, uma área muito maior e foi necessário mais tempo para chegar a uma definição final. Segundo Giovanni Minetti, na época presidente do Conselho de Tutela, a intenção, porém, nunca foi classificar por qualidade. O objetivo foi criar delimitações administrativas, como exigido por lei, de áreas menores que a denominação principal.

Barbaresco e Barolo foram as primeiras denominações italianas a utilizar esse sistema de classificação. Mas outras denominações na Itália já seguiram este caminho, como Dogliani, Roero, Prosecco Superiore, Soave e Piemonte. Outras já estão discutindo a ideia, como Verdicchio dei Castelli di Jesi e Chianti Classico.

Comparação com outras classificações

Algumas pessoas compararam a introdução do conceito de MGA com a classificação adotada na França, que divide seus melhores vinhedos em categorias como Premier Cru e Gran Cru, por exemplo. Para Minetti, porém, esta comparação não faz sentido.

Para ele, o conceito francês de Cru é mais específico. O melhor uso seria o termo climat, que é usado na Borgonha para indicar uma área maior, podendo ser composta por diversos Crus. Este conceito, na sua visão, é semelhante aos MGAs adotados na Itália.

Qualidade ou geografia?

“Essencialmente, um MGA não é o equivalente a um Cru porque um Cru define características mais específicas de um vinhedo individual. Também é importante lembrar que esses termos se desenvolveram independentemente um do outro. São específicas das experiências culturais, técnicas, administrativas e de mercado de cada país e na Itália este é um desenvolvimento muito recente”.

Desta forma, ao contrário dos Cru franceses, as MGAs não classificam os vinhedos e, consequentemente os vinhos produzidos a partir deles, por qualidade. No caso italiano, é uma classificação puramente orientada por questões geográficas, que, todavia, pode ajudar o consumidor a distinguir melhor a origem destes vinhos.

Quem quiser mais informações sobre as MGAs, pode consultar diretamente o link de consulta do Consorzio di Tutela Barolo Barbaresco Alba Langhe e Dogliani.

Fontes: Gambero Rosso; Tenuta Caretta, Qual è la differenza tra «Menzione Geografica Aggiuntiva» e «cru»?; Langhe Vini.

Imagem: Consorzio di Tutela Barolo Barbaresco Alba Langhe e Dogliani.

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