Buscar a diferenciação por meio de uma classificação criteriosa de vinhedos e terroir. Este foi o caminho percorrido por diversas regiões vinícolas do mundo, sobretudo com base no sistema de classificação Appellation d’Origine Contrôlée (AOC), introduzido na França a partir de 1936. E um dos países que estão se adaptando a isso é a Itália.
Seguindo os passos pioneiros das denominações de Barbaresco e Barolo, com a criação, em 2007 e 2010, respectivamente, do conceito de MGA (Menzione Geografica Aggiuntiva), a denominação Soave também lançou sua própria classificação em 2020, com efeito a partir da safra 2024. E neste caso, talvez a importância seja até maior. Soave é um dos vinhos brancos italianos mais exportados, mas não se beneficia, no geral, de uma imagem particularmente positiva.
Mudança de percepção
Por muitas décadas, Soave gozou da reputação de ser uma região mais voltada à quantidade do que à qualidade de seus vinhos. Esta percepção, embora correta para uma grande parte de seus vinhos, era injusta em relação a um número menor de produtores, que vinificavam a variedade Garganega para a produção de vinhos de alta qualidade.
Mas isso mudou. Após um processo iniciado no início da década de 2000, o Soave DOC adotou oficialmente um sistema hierárquico de classificação. Ele foi inspirado no francês, mais especificamente no da Borgonha, onde os vinhedos considerados como cru estão no topo do espectro de qualidade.
Regulamentação aprovada
Inicialmente lançada em 2019 e aprovada pela Comunidade Europeia em 2020, a nova regulamentação é composta de 33 áreas de crus distintas. Elas são chamadas de Unità Geografiche Aggiuntive (UGA), que pode ser traduzido como unidades geográficas adicionais. Ou seja, os vinhos produzidos com uvas destas regiões poderão adotar o nome do cru de origem, após a denominação Soave.
Assim, um vinho produzido com uvas dos vinhedos da UGA Castelcerino, por exemplo, pode estampar em seu rótulo a expressão Soave Castelcerino. A maioria dos crus, cuja área de vinhedo cobre cerca de 40% de toda a denominação, é encontrada nas encostas de Soave, com 29 de 33 localizadas na área premiada de Soave Classico.
AS UGA aprovadas foram: Castelcerino, Colombara Froscà, Fittà, Foscarino, Volpare, Tremenalto, Carbonare, Tenda, Corte Durlo, Rugate, Croce, Costalunga, Coste, Zoppega, Menini, Monte Grande, Ca’ del Vento, Castellaro, Pressoni, Broia, Brognoligo, Costalta, Paradiso, Costeggiola, Casarsa, Monte di Colognola, Campagnola, Pigno, Duello, Sengialta, Ponsarà e Roncà – Monte Calvarina.
Fonte: Consorzio Tutela Vini Soave
Imagem e vídeo: Consorzio Tutela Vini Soave