A safra 2016 em Barolo merece destaque. Com uma primavera branda e verão com temperaturas sem excessos, deu origem a vinhos clássicos e com muita profundidade. Dentre as safras da década de 2010, fica entre as mais bem avaliadas e, por conta disso, foi um prazer degustar 10 Barolos desta safra histórica. Abaixo, os vinhos degustados e meus destaques.
Barolo Comune di Barolo, Virna Borgogno 15%, R$ 640
Boschi dei Signori Barolo, Bosio 14,5%, R$ 442 , La Pastina
Barolo del Commune di La Morra, Renato Corino, R$ 739, Mistral
Barolo Albe, GD Vajra 14,5%, R$ 440, Lamberto Percussi
Barolo, Domenico Clerico 14,5%, R$ 490, Tanyno
Barolo, Azelia 14,5%, R$ 430, Lamberto Percussi
Le Cinque Vigne, Damilano 14,5%, R$ 599, Sonoma
Barolo Rocche di Castelletto, Cascina Chicco 14,5%, R$ 400, Oba
Barolo Castiglione, Vietti 14,5%, R$ 430, Inovini
Barolo, Seghesio 14,5%, R$ 400, Vinci
Prontos para beber
Com estilos bastante distintos, dois vinhos chamaram a atenção não somente pela qualidade, mas por sua condição de já se mostrarem bastante prontos para consumo imediato. De um lado, o Barolo del Commune di La Morra de Renato Corino, um tinto com um olfativo que mostrou predomínio de notas terciárias, mas com boa qualidade de fruta. Olfativo com aromas de frutas vermelhas frescas, couro, suor e balsâmico, chegou a lembrar um Rioja. Na boca, aí sim muita tipicidade, com alta acidez, taninos arenosos e corpo médio, um Barolo intenso e de boa profundidade e persistência.
Já o Barolo Albe da GD Vajra é daqueles em um estilo mais leve e delicado, um vinho perfumado e mais fácil de beber. Olfativo marcado por aromas florais (rosa), com notas de minerais e de frutas vermelhas, com palato de alta acidez, taninos presentes, corpo médio e fruta bem presente. Um Barolo gostoso, quase em estilo glou-glou.
Ótimos, mas devem melhorar
Talvez o vinho “menos pronto” do painel, o Barolo de Seghesio, mostrou ótima tipicidade, com um nariz já bastante terciário (erva seca, alcatrão e fumo). O palato, todavia, mostrou ótima estrutura, boa acidez, taninos finos e corpo médio. Com fruta ainda presente e boa profundidade, mostrou alto padrão, mas ainda precisa de mais tempo de garrafa.
Já o Barolo de Domenico Clerico se destacou pela tensão e austeridade. Mesmo sendo seu Barolo de “entrada”, mostrou suas credenciais. Contém uvas de três Crus diferentes (70% Ginestra, 25% Mosconi e 5% Bussia), com uma vinificação de menor extração. Olfativo mais terciário (tabaco, tosta e couro), com boca marcada por taninos poeirentos e corpo médio, um tinto seco e austero, com uma espinha dorsal de alta acidez que chamou a atenção.