Uma safra de alta gama. O ano de 2019 foi historicamente quente no Barolo, porém mais fresco que a média das safras anteriores. Segundo o relatório do Consorzio di Tutela Barolo Barbaresco Alba Langhe e Dogliani, 2019 está ao lado de safras de referência, como 2016, 2005 e 1999. E como estão os vinhos? Foi um prazer participar do primeiro de dois painéis de vinhos desta safra, com foco principal nos Barolos Clássicos, ou seja, não são vinhos de Crus específicos. Abaixo, os vinhos degustados, impressões gerais e meus destaques.
Barolo del Comune di La Morra, Silvio Grasso 14% R$ 250, Tanyno
Barolo, Serio & Battista Borgogno 14%, R$ 596, Cannubi
Barolo Serralunga d’Alba, Massolino, 14,5%, R$ 659, Zahil
Barolo del Comune di Barolo, Barale Fratelli 14%, R$ 690
Barolo Albe, GD Vajra 14%, R$ 440, Lamberto Percussi
Barolo, Domenico Clerico 14,5%, R$ 490, Tanyno
Barolo del Commune di Monforte d’Alba, Diego Conterno, R$ 695, Cellar
Barolo, Ceretto, 14,5%, R$ 540
Barolo del Comune di Serralunga d’Alba, Rivetto, R$ 750, Cantu
Painel de alto nível
Dentre os nove vinhos degustados, a qualidade se mostrou em patamares elevados na sua grande maioria. De forma geral, são vinhos sem os excessos de fruta de 2018, com mais tensão e acidez mais elevada, além de taninos de muita tipicidade (ao contrário de 2020, por exemplo). Os vinhos parecem ter bom potencial de guarda e alguns deles já começam entrar em sua janela de consumo ideal.
O mais básico, o Barolo del Comune di La Morra de Silvio Grasso, já está bebendo bem, em um estilo de maior austeridade. Já o Albe de GD Vajra, apesar da acidez cortante, tem fruta de intensidade mais evidente e mais estrutura. Por sua vez, com maior densidade e fruta mais madura, os Barolos de Ceretto e Massolino agradam a quem aprecia vinhos mais “gordinhos”, sem tanta verticalidade.
O Barolo de Domenico Clerico se mostrou mais clássico, porém sem esconder a fruta mais evoluída de Monforte d’Alba. Uma surpresa foi o Barolo del Commune di Monforte d’Alba de Diego Conterno, um vinho que abriu com um olfativo peculiar e um palato sem profundidade ou persistência, não fazendo jus a outros vinhos que já provei deste produtor.
Os destaques
Três vinhos foram meus principais destaques. Como quase sempre em degustações às cegas, os vinhos de Rivetto conquistam um lugar especial. O Barolo del Comune di Serralunga d’Alba mostrou coloração rubi de média concentração, com fruta bem presente e tabaco no olfativo. Na boca, um Nebbiolo de alta acidez, corpo médio e taninos presentes, mas finos. Em estilo mais exuberante, com linda textura e profundidade, faria bonito em degustação de Crus.
Em um estilo distinto, onde classicismo e austeridade ganharam mais espaço, outro destaque foi o Barolo de Serio & Battista Borgogno. Com uvas predominantemente de Novello e envelhecimento em botti, trouxe um olfativo complexo, com notas de fumo de corda, rosas, especiarias, framboesas e ervas verdes. No palato, alta acidez, tanino presentes e levemente secante, com corpo médio. Seco e austero, um Barolo de “antigamente”.
Com boa complexidade e muito equilíbrio, o Barolo del Comune di Barolo de Fratelli Barale mostrou um estilo intermediário. Olfativo bastante tradicional, com frutas vermelhas e toque de couro e estrebaria, porém com um palato mais suculento e complexo. Alta acidez, taninos mais redondos (o vinho envelhece em barricas), com bastante fruta vermelha e boa densidade. Delicioso.