Denominações geográficas complementares: entenda melhor este conceito

Talvez um dos movimentos mais importantes no mundo dos vinhos nas últimas décadas seja o de maior valorização ao conceito de terroir. E isso passa por uma definição mais detalhada da geografia e características das próprias regiões produtoras de vinhos. Alguns países, como França e Alemanha, exploram de forma detalhada as condições específicas de cada região, sub-região, grupo de vinhedos ou mesmo vinhedos individuais.

Já em outros países, o esforço no sentido de buscar uma classificação mais específica dentro das diversas denominações de origem é algo mais recente. São os casos, por exemplo, da Itália e da Espanha. E isso passa pelo maior uso do conceito de Denominação Geográfica Complementar, ou DGC.

Critérios geográficos

A forma mais simples de definir este conceito é usar um exemplo prático. E podemos utilizar o conceito de Menzione Geografica Aggiuntiva, adotado na denominação italiana do Barolo, a partir de 2010. Todos sabem que o Barolo é uma das melhores regiões do mundo para a elaboração de vinhos, porém, apesar disso, não é uma região homogênea.

Existem diversos terroirs distintos na região, que, naturalmente, resultam em vinhos de características diferentes. Saber identificar melhor estas diferenças, portanto, pode ajudar na hora de escolher o vinho mais adequado. No caso do Barolo, as autoridades definiram 181 áreas distintas. Destes, onze se referem aos municípios que abrigam os vinhedos desta região, mais 170 nomes referentes a micro-regiões ou vinhedos.

Diferentes níveis: sub-região, município e vinhedo

Assim como na classificação adotada no Barolo, também na Rioja o conselho regulador aprovou uma segmentação em categorias distintas. Se na região italiana foram duas (municípios e vinhedos), no caso da Rioja foram três: sub-regiões, municípios e vinhedos. Um vinho desta denominação pode incluir no seu rótulo (desde que respeite os critérios pré-estabelecidos), uma sub-região ou Zona (Rioja Alavesa, Rioja Alta e Rioja Oriental), um município, ou mesmo um vinhedo (chamados de Viñedos Singulares).

Este conceito, como mencionado anteriormente, está em uso na França há muitos anos. Existem vinhos classificados como regionais, de municípios (como por exemplo, os Village da Borgonha) ou de vinhedos específicos. E muitas vezes eles são associados aos conceitos de Cru (como na Borgonha ou na Alsácia).

Geografia ou qualidade?

De forma geral, as DGC levam em conta conceitos geográficos definidos, sem que isso implique em uma questão de maior ou menor qualidade. No caso do Barolo ou da Rioja, não é possível selecionar um vinhedo ou município e, ao mesmo tempo, afirmar que seus vinhos sejam melhores do que os de outro, somente levando em conta as DGC.

Já na França, sobretudo na Borgonha, por outro lado, este conceito está intimamente ligado ao conceito de qualidade. Um Climat ou conjunto de vinhedos pode ser classificado como Premier Cru ou Grand Cru, o que automaticamente indica uma diferença de qualidade. Na Alsácia, por exemplo, os vinhedos de mais alta qualidade são classificados dentro de uma denominação específica (Alsace Grands Crus) enquanto os demais entram na denominação mais genérica, Alsace AOC.

De forma geral, é importante ter em mente a distinção entre os conceitos geográficos e de qualidade. Qualidade é um conceito subjetivo, muito mais discutível do que diferenças geográficas. Na França, não faltam exemplos de vinhedos de classificação de qualidade inferior que conseguem resultar em vinhos de qualidade melhor que a categoria imediatamente acima.

Fontes: Vins de Bourgogne, Conselho Regulador da Rioja, Qual è la differenza tra «Menzione Geografica Aggiuntiva» e «cru»?

Imagem: Consorzio di Tutela Barolo Barbaresco Alba Langhe e Dogliani.

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