Last Updated on 3 de março de 2025 by Wine Fun
Os vinhos desalcoolizados seguem ganhando espaço, apesar das controvérsias. De um lado, estes vinhos atendem à demanda de um público preocupado com o impacto do álcool, tanto sobre a saúde como sobre outras atividades (dirigir é um exemplo). De outro, eles causam arrepios a puristas ou defensores da baixa intervenção. Para muitos, os processos necessários para retirar o álcool de um vinho são demasiadamente interventivos.
Esta controvérsia ganhou um novo capítulo no último mês de fevereiro, após uma decisão na Europa, focada especialmente nos vinhos orgânicos. Uma alteração anunciada em 26 de fevereiro altera o regulamento que rege os vinhos orgânicos. Ela autoriza o uso dos processos de evaporação ou destilação parcial a vácuo para desalcoolizar vinhos orgânicos.
Limitações
O Jornal Oficial da União Europeia publicou o Regulamento Delegado (UE) 2025/405 da Comissão, de 13 de dezembro de 2024, que altera o Regulamento (UE) 2018/848 relativo à produção de vinhos orgânicos. A evaporação parcial por vácuo e a destilação, utilizadas separadamente ou em conjunto, agora fazem parte da lista das práticas enológicas autorizadas na certificação orgânica.
Porém, algumas importantes limitações. O vinho produzido deve ter uma teor alcóolico máximo de 0,5%. Já a temperatura utilizada na destilação não deve exceder 75 °C, a dimensão dos poros para filtração não deve ser inferior a 0,2 micrometros e a destilação seja sob vácuo. Estas três últimas medidas buscam reduzir o escopo de intrevenção, tão comum nnos ditos vinhos industriais.
Somente desalcoolização completa
A limitação de um teor alcóolico muito baixo, por sua vez, evita que esta permissão sirva para que os produtores de vinho orgânicos usem o regulamento para “amenizar” o teor alcólico de seus vinhos. Por conta do aquecimento global, é comum produtores de vinhos convencionais usarem técnicas como as aprovadas para controlar o álcool dos vinhos. No caso dos vinhos orgânicos, será “tudo ou nada”, indicando que estas técnicas são somente aprovadas no caso de vinhos com desalcoolização total.
“A desalcoolização parcial não está na ordem do dia do vinho orgânico, sabendo que muito trabalho já deve ser feito pelos produtores e órgãos reguladores neste assunto, nomeadamente para as IGP e COA”. Foi o que indicou o diretor do sindicato dos viticultores orgânicos da Aquitânia, Stéphane Becquet.
Fonte: Vitisphere