O quanto o frete interfere no preço de um vinho vai depender de onde este vinho esteja e para onde esteja indo. Sim, o frete, não só para vinhos, depende da distância e de outros fatores.
Resumidamente para calcularmos o custo de um frete, precisamos ter o valor da NF, peso e medidas do produto a ser transportado, além da distância. No caso que quero exemplificar temos:
Peso, medidas e distância
Uma garrafa de vinho em caixa de presente, com peso de 1,84 kg e valor declarado de R$ 50,00, saindo da Serra Gaúcha para São Paulo, capital. Para cálculo da cubagem (m3), em geral, além da multiplicação da altura, largura e profundidade, multiplica-se por um número que é 300. No meu exemplo 0,34 x 0,12 x 0,11 x 300= 1,35 kg
As transportadoras utilizam, para efeito de cobrança do frete, o valor que for maior, no nosso caso é o 1,84 kg. Depois vem a taxa de despacho do frete, que é fixa. Some a taxa de risco Gris, no caso R$ 2,74. Temos ainda a TRT, que é a taxa de restrição de trânsito, que é R$ 16,44. Não acabou não, tem pedágio de R$ 3,84, o frete percentual de R$ 0,10 e a taxa SEFAZ, de R$ 3,84. Ainda incidem outros valores, como o ICMS, de R$ 8,72.

Valor total
Bem, não sou especialista e nem a maioria de vocês, então vou logo ao total cobrado. Assim fica mais interessante de se notar o absurdo de apenas um item interferindo no preço de custo de uma garrafa de vinho.
O total cobrado foi de R$ 72,70, não é de assustar? Não estou acusando a transportadora por cobrar este valor, apenas mostrando que a um custo declarado de R$ 50,00 na origem, terá que ser somado o valor do frete de R$ 72,70.
Que tal um armazém central?
Vamos pensar juntos sobre um ponto que já externei inúmeras vezes: Não seria mais barato termos um armazém central de distribuição multimarcas na capital, onde várias vinícolas colocassem seus vinhos, minimizando frete e facilitando inclusive a distribuição com tempo e valores menores?
Quando compramos um vinho na capital do estado de São Paulo, todos estes custos estão embutidos, sem contar os insumos necessários, como rolhas, caixas de papelão, garrafas de vidro, cápsulas, rótulos, impostos, custos de administração… e mais um sem número de itens.
Quando ganhamos um vinho de presente de um amigo da Serra Gaúcha, temos que valorizar muito, pois, além do preço do vinho em si, o que se paga pelo frete, no caso de apenas uma garrafa, é não raras vezes maior que o preço do próprio presente.
Até o próximo brinde!
Álvaro Cézar Galvão conhecido como O Engenheiro Que Virou Vinho, me dedico a comentar, escrever, divulgar, dar palestras e ministrar cursos de vinhos, bebidas destiladas e a harmonização com a gastronomia. Assino dentre outras mídias o site Divino Guia www.divinoguia.com.br
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Fotos: Álvaro Cézar Galvão, arquivo pessoal
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