O vinho virou moda, virou luxo, virou status. E, com isso, criou uma série de marcas e rótulos cada vez mais valorizados, assim como de profissionais que aconselham e influenciam o número cada vez maior de iniciantes. Temos que levar em consideração que a globalização tornou este mercado muito amplo e, com ela, a necessidade de mais informação. Mas também proporcionou o surgimento de pessoas que supostamente sabem tudo a respeito das diversas regiões do mundo, das variedades, dos impactos do terroir, e da variação do clima de cada safra nas mesmas.
Será que existem pessoas com esta capacidade e memória? Certamente não me qualifico para este requintado clube. Talvez utilizando a inteligência artificial, com seus algoritmos, eu poderia me candidatar e obter informações e características mais realistas dos vinhos elaborados no planeta.
Definição de qual vinho beber?
Porém, o que mais me incomoda é quando estas pessoas também decidem definir qual é o estilo de vinho correto para as pessoas beberem. Para isso, se baseiam nas mais novas tendências ou em seu próprio gosto, que é defendido a ferro e fogo. Isso cria longas e acaloradas discussões e uma onda de extremismo. Para mim, esta postura não leva a nada, parecendo mais os famosos bate bocas das mesas redondas de futebol.
Imagino que vocês já devem ter escutado muita gente dizendo: este vinho tem muito álcool, esse vinho tem muita madeira ou que esse vinho tem um dulçor que incomoda. De outro lado, esse vinho não tem estrutura, esse vinho tem só aromas primários, não tem complexidade, esse vinho parece suquinho de fruta, etc. Dar sua opinião é parte da brincadeira, brigar por elas é que não é legal.
Olhando de outro ângulo
Para mim, vinho traz alegria, companheirismo. Afinal, vinho não é para ser tomado sozinho, nada tão gratificante como abrir grandes vinhos com nossos bons amigos. Gostaria de finalizar sugerindo não colocar o vinho no mesmo patamar que temos a política, a religião e o futebol. Não virem extremistas, não tornem as conversas sobre vinhos discussões sem fim, onde cada um defende seu gosto pessoal
Na dúvida, leiam as diversas opiniões, conheçam mais o que se deve esperar de um bom vinho, sejam vosso próprio guru. Aproveitem os momentos com o vinho para curtir, e não para discutir. Saúde a todos!
Ex-diretor da SBAV (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho) por dois mandatos, onde também ministrava aulas sobre técnicas de degustação. Editor de vinhos da revista Go Where por 10 anos, publisher da revista Free Time por 3 anos. Já foi jurado de concursos internacionais como Catador e Concours Mondial de Bruxelles. Colaborador e degustador de diversas revistas de vinho, como Vinho Magazine, Vinho & Cia e outras. Editor do blog Tommasi no Vinho.
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Foto: Walter Tommasi, arquivo pessoal