Vinhos portugueses com algo de Brasil. O Domínio do Açor é um projeto criado por nove empresários de Belo Horizonte e um de Brasília representados por Guilherme Correa e contando com Luís Lopes como enólogo consultor. A ideia foi buscar uma propriedade no Dão (na época, Quinta Mendes Pereira), adquirida em maio de 2021 e renomeada Domínio do Açor.
A propriedade tem 24 hectares e é cercada por florestas, com 11,2 hectares de vinhedos plantados entre 1990 e 2000. Destes há 1,2 hectare de vinhas velhas, com 14 castas (entre elas Trincadeira, Baga, Água Santa, Campanário, Arinto Gordo, Negro Mouro, Alvarelhão e Bastardo). Os vinhedos têm cultivo de acordo com os princípios da agricultura regenerativa, já em processo para certificação orgânica Ecocert em 2026. Foi um prazer degustar alguns de seus vinhos em recente evento organizado pelo seu importador no Brasil, a Clarets.
Vinha Romana Branco 2022, R$ 239,40
Corte de Encruzado, Cerceal e Malvasia, é o vinho branco de entrada. Na vinificação, em estilo redutivo, fermentação com leveduras indígenas, onze meses com as lias, mais seis meses em inox. Bem redutivo, refletiu sua vinificação. Olfativo com notas de pólvora, cítricos, pêssego branco e toque de maresia. No palato, mostrou boa acidez, corpo médio e muita textura, refletindo o tempo com lias, fechando com persistência longa e toque salino.
Vinha Ruína Cerceal Branco Magnum 2022, R$ 699,60
Um vinho delicioso, com nariz marcado por aromas cítricos, mel e frutas brancas (pera). Na boca, se mostrou mais elegante, com alta acidez, corpo médio e textura mais delicada (sente menos as lias). Um dos destaques da degustação.
Vinha Celta Bical 2022, R$ 499,80
Elaborado a partir de vinhas velhas de 60 anos, um vinho equilibrado e de textura sedosa. Olfativo redutivo (flint), com notas fumê e fruta caramelizada (pera). Um branco mais redondo e menos vertical, com corpo médio, boa acidez e longa persistência.
Encruzado 2022, R$ 599,80
De todos os brancos, o mais denso e potente, com maior presença de fruta e notas de cedro. Olfativo redutivo, com notas de frutas de caroço e ervas verdes. Boa acidez, textura sedosa e fruta bem presente, com mais profundidade e nota salina no final de boca.
Tinta Pinheira 2022, não disponível no Brasil
Tinto de uma variedade pouco conhecida, que não chega comercialmente ao Brasil. Leve, vibrante e elegante, um tinto mais “frio”, com muita tensão. Olfativo com notas de violeta, cereja e toque mentolado, na boca se mostrou quase uma infusão, com alta acidez, corpo médio a baixo e taninos discretos. Um vinho fresco e muito preciso, com muita vibração e verticalidade.
Vinhas Velhas 2022, não disponível no Brasil
Corte de diversas uvas, com destaque para Água Santa e Campanário. Mais intenso e complexo que o anterior, também mostrou um caráter mais “frio” e austero. Nariz com aromas florais intensos (violeta) e leve mentolado. Na boca, um tinto de alta acidez, corpo médio e boa textura, com taninos finos. Se mostrou preciso, compacto, fresco mas complexo. Uma expressão bastante interessante do Dão.
Vinha Romana Tinto 2021, R$ 199,80
Corte de Touriga Nacional (70%) e Tinta Roriz (nome local para a Tempranillo, 30%) é o vinho tinto de entrada. Nariz exuberante, com aromas florais (violeta), cereja vermelha e negra. Mais rústico e bastante frutado, trouxe alta acidez, corpo médio, taninos presentes e discreta nota verdeal.
Tinto Reserva 2021, R$ 499,80
Um tinto que chegou a lembrar um vinho do Rhône, por conta de uma explosão de notas florais, densidade e profundidade. Corte de 60% Alfrocheiro e 40% Touriga Nacional, com olfativo trazendo notas florais, de frutas vermelhas e negras, além de hortelã. Boa acidez, taninos granulosos, corpo médio, fruta bem presente, profundo, denso e longo.