Você conhece a taxa de rolha? Ela tem ganhado cada dia mais popularidade no Brasil, principalmente no eixo São Paulo-Rio nos últimos anos. Isso, de uma certa forma, replica o sucesso que atingiu nos Estados Unidos, onde é chamada de corkage fee. Lá, é vinculada ao conceito de Bring Your Own Bottle (BYOB, ou “Traga sua Própria Garrafa”), que virou moda em muitos restaurantes.
O conceito de taxa de rolha é simples. Ao invés de comprar um vinho que está na carta do restaurante, você traz uma garrafa da sua casa. Mas, como você não está consumindo um vinho da adega do restaurante (também uma fonte de renda para o estabelecimento) e porque disfruta do serviço (taças, atenção dos garçons, balde de gelo, etc.) você acaba pagando uma taxa fixa para poder trazer seu vinho. É a taxa de rolha.
Uma relação boa para os dois lados
Se, do lado do restaurante, ele está abrindo mão de uma fonte de renda, pode compensar, ao menos parcialmente, isso através da taxa de rolha. Além disso, agrada o seu cliente, o que pode aumentar sua base de frequentadores. Não são poucos aqueles que, como eu, se sentem mais confortáveis em restaurantes que eu chamo de wine friendly, ou seja, amigáveis ao vinho.
Já o cliente ganha flexibilidade. Ele pode trazer o vinho que deseja consumir,- que tal um vinho da sua safra ou da(o) companheira(o) para celebrar um aniversário? Ou mesmo para provar aquele vinho especial da adega, mas com uma refeição de alta gama? Além disso, é relativamente raro achar nas cartas de restaurantes vinhos mais evoluídos, de forma que trazer um de casa pode ser uma vantagem, sobretudo no caso de vinhos tintos.
A questão de valor também é importante. Apesar de comprarem os vinhos com desconto, geralmente na faixa de 20% em relação ao preço disponível para os clientes, não são poucos os restaurantes que exageram na margem que cobram sobre o vinho. Para um vinho de R$ 200, isso pode não fazer uma grande diferença, mas para uma garrafa de R$ 1.000 certamente o valor cobrado pelo vinho fica bem salgado.
Cuidados e reciprocidade
Mas, se a taxa de rolha pode trazer vantagens para o cliente, alguns cuidados devem ser tomados. A taxa de rolha não é simplesmente uma forma de pagar menos pelo vinho. O primeiro diz respeito ao vinho em si: se for levar um vinho a um restaurante, leve algo especial. Por exemplo, traga um vinho que não esteja disponível no supermercado da esquina (sim, isso existe, gente que compra um vinho qualquer só para reduzir a conta). E esta atitude está longe de ser educada.
Como muitos restaurantes divulgam em seus sites ou mídias sociais sua carta, vale a pena sempre checá-la, antes de levar seu vinho. Evite levar vinhos disponíveis na carta, afinal de contas, a ideia por trás da taxa de rolha é beber algo diferente, que o restaurante não poderia te oferecer. Por fim, seja sempre cortês com o(a) sommelier, maitre ou garçom, oferecendo o vinho para prova, se ele(a) desejar. Deve ser uma relação de duas mãos, prazerosa para o cliente e também para o restaurante e seus profissionais.
Disponibilidade e valor
Porém, antes de levar seu vinho, cheque se o restaurante aceita esta prática. Alguns já deixam isso claro nos sites ou mídias sociais, mas o mais interessante é sempre ligar (pode aproveitar a chamada para fazer a reserva) e saber se a prática é aceita ou não. E, muito importante, cheque sempre qual o valor da taxa de rolha. Eu, por exemplo, já desisti de alguns restaurantes por conta do valor, que acreditei ser abusivo.
O que seria um valor correto? Isso vai depender dos preços praticados pelo restaurante. Em restaurantes mais simples e que não cobram muito pelos seus pratos, não é incomum taxas de rolha na faixa de R$ 50 a R$ 100. Já restaurantes mais caros cobram taxas a partir de R$ 100, que aumentam proporcionalmente com o valor cobrado pelos seus pratos. Porém, tudo tem limite, faz pouco tempo desisti de um restaurante que informou que a taxa era de R$ 250.
Opção oferecida pelo restaurante
É importante sempre lembrar que a taxa de rolha é uma opção oferecida pelo restaurante. Ele aceita ou não ter esta opção e cobra o valor que acreditar adequado. Mas a decisão de frequentá-lo ou não, porém, é sua. Particularmente, considero um grande avanço a cobrança da taxa de rolha. Até porque ela não é tão comum quanto parece para quem está acostumado com restaurantes no Brasil ou Estados Unidos.
Na Europa, sobretudo fora do Reino Unido, a maioria dos restaurantes não oferece esta opção. Não são poucos aqueles que sequer sabem que ela existe, principalmente quando fora das capitais ou áreas conhecidas por sua gastronomia. Portanto, mesmo quando viajando, a regra de ligar antes e checar é imprescindível.
Mas não se esqueça de uma coisa: os restaurantes têm profissionais, na maior parte das vezes qualificados, que se dedicam a montar suas cartas de vinhos. Mesmo que você pague um pouco a mais do que está acostumado, pode valer a pena conhecer a carta e pedir um vinho dela. Aliás, esta postura é ainda mais justificada quando a refeição é em grupo, retribua a cortesia oferecida adquirindo ao menos um vinho da carta, como, por exemplo, um espumante, ou mesmo um vinho de sobremesa.
Imagem: Kai Sender via Pixabay