A valorização das sensações com texturas e combinações inusitadas é algo que ganhou força. Mas será que algumas destas experiências organolépticas devem ser vistas como modismo? Tanto nas bebidas, quanto na gastronomia, a busca pelo inusitado em aromas, sabores, texturas parece ser a tônica do momento.
Sem julgamentos, apenas para provocar o pensar, vemos que a busca por algo mais que o simples açúcar, já não satisfaz. Misturas de doce e salgado e até com especiarias picantes aparecem muito em vinhos naturais nos aromas, já no paladar, me parecem ser conservadores. Fruto da elaboração, leveduras etc…
Sensações que causam prazer
Na gastronomia é exatamente o contrário, onde o olfato é intrigante, mas mais conservador; mas no paladar, a fusão de elementos outrora inusitados aparece mais frequentemente. A valorização das texturas, tanto nas bebidas quanto na gastronomia é hoje uma busca incessante. Parece ser uma conduta que o consumidor busca, cada vez mais nas diferentes sensações que possam causar prazer durante o consumo do alimento ou da bebida.
Os sabores florais e apimentados estão em crescimento no mercado. Podem-se destacar os de lavanda, flor de lotus, hibisco, pimenta-preta, lemongrass, canela e gengibre. Esses aromas podem ser encontrados em diferentes produtos, como refrigerantes de pink peppercorn, chocolate com rosas e pistache, chá com lavandas, destilados como o Gin e em muitos vinhos brancos (quem sabe sejam leveduras nativas que estão na moda, ou até mesmo as leveduras comerciais encomendadas).
Modismo ou não?
A tendência é inovar para se destacar (como escrevi acima, sem julgamentos ok?). Já pensou nos diferentes sabores que podem ser criados? Águas saborizadas com vinho, refrigerante de café, os licores que voltam com força, os temos de tudo que se possa imaginar.
Em minha opinião, sempre quando falamos em modismos, o menos é mais e em recente concurso onde fui um dos jurados, apenas uma minoria, e sempre nos vinhos brancos que alguns seguiram esta busca pelo inusitado. O que observei na quase totalidade é o natural, os descritores clássicos.
Os alimentos fermentados estão em alta, então vemos neles que ou assim o são porque as abelhas, principalmente as nativas, o elaboram assim, ou são fermentados pelo homem para servir de experiências gustativas. Nas bebidas fermentadas, há uma facilidade de se incrementar estes fatores, com ou sem o álcool presente. Bebidas feitas com vinagres também estão em alta, como o Sparkling Drinking Vinegar, feito com vinagre de maçã e produtos orgânicos
Infinidade de experiências
Quase sempre não basta ser só diferente. O sabor também é um fator relevante, e enquanto apenas novidade, uma pequena parcela mais treinada para sensações incomuns os consumirá. Mas convenhamos, quando abrimos um vinho, ou saboreamos um prato, esperamos que nossa memória olfativa e gustativa seja contemplada.
Para harmonizações gastronômicas, aí temos hoje uma infinidade de experiências que nos levam ao inusitado. Um querido amigo jornalista dos bons sempre disse: “se quiser comer salada de alface tomando um Barolo, o gosto não se discute”.
De Gustibus Non Disputandum Est!
Até o próximo brinde!
Álvaro Cézar Galvão conhecido como O Engenheiro Que Virou Vinho, me dedico a comentar, escrever, divulgar, dar palestras e ministrar cursos de vinhos, bebidas destiladas e a harmonização com a gastronomia. Assino dentre outras mídias o site Divino Guia www.divinoguia.com.br
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Fotos: Álvaro Cézar Galvão, arquivo pessoal