Vinho em latinha é uma tendência que veio para ficar. Vale a pena provar?

O vinho em latinha pode estar apenas engatinhando no Brasil, mas possivelmente veio para ficar. Se atualmente as opções no Brasil não passam de poucas marcas distintas, este mercado tem um grande potencial para crescer, considerando o padrão de consumo aqui e a experiência de outros países.

Antes que a COVID-19 “fechasse o mundo” em 2020, os vinhos em lata representavam a categoria de maior crescimento nos EUA, com um aumento de vendas superior a 70% em 2019 em relação ao ano anterior. Mesmo com a pandemia, porém, a quantidade de marcas e opções de vinho seguem crescendo rapidamente, atingindo sobretudo o público mais jovem, com foco nos millennials.

Ideia não é nova

Vinhos em lata já estão quase chegando na maioridade. Foi em 2004 que a vinícola de Francis Ford Coppola (sim, é o cineasta que dirigiu clássicos de Hollywood como a trilogia O Poderoso Chefão, Apocalypse Now e Dracula) lançou o vinho em lata Sofia Blanc de Blancs. O maior crescimento deste formato, porém, veio somente a partir de 2012.

No Brasil, os lançamentos são mais recentes, incialmente com a importação de vinhos em lata, mas com uma boa diversidade de novas marcas se estabelecendo a partir de 2019. E surpresas devem marcar o setor em 2021, com players de peso entrando neste mercado, que cada dia se torna mais competitivo.

Praticidade

Mas o que faz este mercado crescer tão rapidamente? Embora sempre exista a questão de modismo, não há dúvida que as latinhas sejam muito práticas. Quer tomar um vinhozinho na piscina ou na praia? Ou durante um passeio de bicicleta ou caminhada, ou mesmo em locais que não permitem o acesso de garrafas de vidro? O vinho em lata pode ser uma boa alternativa.

Uma vantagem extra é que, assim como outras bebidas em latinha, não necessita de um abridor. Também a quantidade, na medida, parece ser um atrativo. Muitas das latinhas de vinho vendidos no mercado brasileiro têm uma capacidade de 269ml, o que corresponde mais ou menos a duas doses.

Precisa de copo ou não?

Um ponto importante, porém, é a questão de usar ou não um copo para consumir os vinhos vendidos em latinha. Vinho e alumínio não combinam, tanto que as latinhas usadas para vinho são revestidas (geralmente com um revestimento cerâmico) para evitar o contato entre o líquido e o metal.

Por conta disso, muitos produtores destes vinhos ressaltam que a melhor forma de consumir não é diretamente na latinha, mas sim com uso de um copo. Porém, isso implica que, além da latinha, você teria também que ter à disposição um copo ou taça, o que não é tão prático assim.    

Características e limitações

Se o formato pode trazer vantagens, o que dizer do vinho em si? Em geral, os vinhos em latinha são mais simples, quase sempre sem menção de informações importantes, como safra, por exemplo. Embora em mercados mais evoluídos já exista maior disponibilidade de vinhos de melhor qualidade neste formato, o consumidor precisa valorizar mais o que está bebendo do que necessariamente o formato.

Uma questão limitadora para a qualidade é que vinhos em lata não são feitos para evoluir. São vinhos para consumo rápido, mais descompromissados. Ao contrário de vinhos em garrafas, tanto para os fechados com rolhas ou tampas de rosca, não há troca de ar entre os vinhos dentro da latinha e o ambiente exterior. E este contato é fundamental para que o vinho se desenvolva e evite defeitos, como a redução, por exemplo.

Olho no preço e na qualidade

Embora o uso de alumínio seja ótimo na questão sustentabilidade (é um dos materiais de maior índice de reciclagem no mundo), ele também é caro. E este é um dos fatores que pesa negativamente para os vinhos de latinha, que, em geral, não mostram uma grande relação custo-benefício.

Mas os preços variam muito de marca para marca, refletindo também a qualidade dos vinhos. Analisando os preços em janeiro de 2021, o preço de cada latinha variava entre R$ 12 e 27 em vários sites de internet. Para o caso de pacotes de quatro, seis ou oito unidades, há um preço unitário menor.

É difícil comparar com os vinhos em outros formatos, como garrafas ou bag-in-box, até porquê muitos vinhos em lata pecam bastante na transparência das informações sobre os vinhos em si. Trazem algumas informações relevantes (estilo de vinificação, variedades usadas) mas poucos se dão ao trabalho de descrever melhor que tipo de vinho está dentro da lata.

Nicho ou caminho para novos consumidores?

Embora apresentem algumas limitações, os vinhos em lata podem ser vistos como uma boa alternativa para nichos de mercado ou mesmo para tentar ampliar o consumo de vinhos entre os mais jovens. Em geral, trazem uma linguagem visual e proposta alinhadas com o estilo de vida dos millennials. Assim, podem representar um excelente caminho para a popularização do vinho.

Por outro lado, para quem já bebe vinhos e conhece melhor as opções disponíveis, os vinhos em lata podem surgir como uma alternativa pontual. Seriam uma espécie de plano B, para quando outras opções não estejam disponíveis.

O importante, porém, é que há espaço para todos neste mercado, não há qualquer motivo para fazer cara feia quando vir alguém tomando vinho em latinha. Cada formato tem suas vantagens e suas limitações, e cabe ao consumidor entender melhor e fazer sua própria escolha.  

Imagem: simplyelke via Pixabay

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