Vinho europeu e as novas tarifas da gestão Trump

No último sábado (12 de julho), o presidente norte-americano Donald Trump enviou mais uma de suas famigeradas “cartinhas”, desta vez para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Nela, anuncia a ameaça de uma taxação de 30% sobre produtos europeus em 1º de agosto. Para as autoridades dos EUA, após semanas de negociações com os principais parceiros comerciais, não foi possível chegar a um acordo comercial abrangente.

A ameaça dos EUA de tarifas adicionais é para todos os itens exportados pelos europeus, incluindo bebidas alcoólicas e, portanto, o vinho. As exportações do bloco europeu para os Estados Unidos superaram € 500 bilhões em 2024, com destaque para produtos farmacêuticos, que corresponderam a mais de 20% do total. A parcela referente a bebidas alcoólicas é de pouco menos de 2% das exportações.

Vale lembrar que esta não é a primeira vez que Donald Trump atua no sentido de taxar as exportações de vinho europeu. No seu primeiro mandato, entre 2019 e 2021, os Estados Unidos taxaram as exportações de vinhos tranquilos da França, Espanha, Reino Unido e Alemanha em 25%. A justificativa era a participação significativa dos governos destes países na Airbus, que travava uma forte disputa com a norte-americano Boeing pelo mercado de aviação.

Reação

Logo após o anúncio, as autoridades europeias deixaram claro que não irão adotar represálias até 1º de agosto. Vale lembrar que Trump já havia ameaçado anteriormente tarifas de até 200% sobre vinhos europeus logo depois de tomar posse. Em maio, uma nova ameaça, com a perspectiva de taxar todos os produtos europeus em 50%, caso as negociações comerciais não prosperassem.

Até por conta do histórico, o anúncio do último sábado não causou tanta apreensão entre produtores e negociantes de vinho. Em visita recente à Europa, conversas informais com alguns produtores deixaram claro que já havia expectativa de taxação adicional caso Trump fosse eleito, gerando um impacto positivo sobre as vendas no final de 2024. Ou seja, boa parte dos importadores de vinho baseados nos Estados Unidos já se antecipou, prevendo novas tarifas após a posse de Trump.

Apesar disso, a imprevisibilidade sobre os rumos do comércio com os Estados Unidos segue como um fator negativo, levando muitos produtores e comerciantes a intensificarem a busca de alternativas ao mercado norte-americano.

Fonte: Reuters

Imagem: Gerada via IA com Magic Media

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