Last Updated on 25 de setembro de 2021 by Wine Fun
Se as evidências arqueológicas indicam que o vinho foi produzido pela primeira vez na região que atualmente é a Geórgia, outras civilizações antigas também desenvolveram gosto por esta bebida maravilhosa. E uma delas é o Egito Antigo. Porém, ao contrário de outros povos da Antiguidade, o vinho inicialmente não era popular na terra dos faraós, sobretudo por conta de seu preço elevado.
Os egípcios tinham duas alternativas de bebidas fermentadas mais baratas. Uma delas era a cerveja, enquanto a outra era um fermentado preparado a partir de tâmaras, muito populares neste país desértico. Com isso, o vinho desempenhou um papel distinto. Seu consumo ficou restrito apenas aos mais ricos e/ou em circunstâncias especiais, como festivais, funerais, ofertas religiosas, ou mesmo como remédio.
Papel central no caminho para a eternidade
Embora não estivesse ao alcance da maioria da população, o vinho gozava de grande status no Egito. Além da questão financeira, havia também um aspecto religioso, já que o vinho (principalmente o tinto) estaria ligado ao sangue de Osíris, o Deus egípcio da ressurreição.
E o faraó contava com o vinho para começar a sua jornada após a morte, como detalhado em diversas evidências arqueológicas, em especial no túmulo de Tutancâmon. Na câmara principal, onde estava o sarcófago do jovem faraó, foram encontrados três recipientes com vinho, que seriam instrumentais para que ele conseguisse superar os principais obstáculos rumo à eternidade.
Vinhos importados e resinados
Nesta época (cerca de 1.300 anos antes de Cristo), o vinho já era produzido no Egito. Foi em torno de 3.000 aC que uma indústria vinícola foi estabelecida no Delta do Nilo, pois antes disso o vinho era importado da região da Fenícia. Independente da origem, mesmo nesta época o vinho já tinha um papel importante nos rituais religiosos.
As evidências encontradas no túmulo de um dos primeiros faraós, o rei Escorpião I (ele existiu, não é invenção de Hollywood) deixam isso claro. No seu túmulo, datado de cerca de 3.150 aC, foram encontradas 700 ânforas, com cerca de 4.500 litros de vinho resinado.
Além da adição de resina de pinho (que não era encontrada no Egito, indicando sua possível origem na atual região do Líbano), também foram achadas outras substâncias no vinho. Entre elas, resquícios de frutas frescas (uvas e figos) e ervas (hortelã, coentro e sálvia). Isso evidencia que, assim como os romanos fizeram posteriormente, o vinho consumido na época era muito diferente do atual.
Popularização e declínio
Foi somente a partir das conquistas de Alexandre, o Grande, que o vinho começou a se popularizar no Egito antigo. O macedônio, que era conhecido por consumir grandes quantidades de vinho periodicamente, provocou uma transformação nos hábitos locais. Além disso, a partir da dinastia Ptolemaica, vários costumes gregos foram gradualmente introduzidos no Egito.
Esta tendência apenas prosseguiu após a conquista romana. O vinho continuou a fazer parte da cultura egípcia durante o domínio romano e isso continuou mesmo após a conversão ao Cristianismo. Apesar de uma atitude reservada em relação ao álcool por parte da Igreja de Alexandria, os cristãos constituíram a maioria da população do Egito no século III e os próprios monastérios armazenavam e produziam grandes quantidades de vinho.
Isso, porém, rapidamente se reverteu após a conquista muçulmana do Egito no século VII. A proibição de consumo e o declínio das religiões anteriormente dominantes na região colocaram um ponto final ao séculos de tradição com vinho no Egito.
Fontes: Ancient Wine – The first detective story, Patrick McGovern; A História do Vinho, Hugh Johnson; Wine of Ancient Egypt; Alexander the Great’s relationship with alcohol, J A Liappas, J Lascaratos, S Fafouti, G N Christodoulou;
Imagem: Wine of Ancient Egypt