Last Updated on 6 de março de 2021 by Wine Fun
Diversos estudos científicos já mostraram que o consumo moderado de vinho pode ter diversos efeitos benéficos sobre a saúde. O mais reconhecido talvez seja o impacto sobre a saúde cardiovascular, mas estudos publicados recentemente mostram também o efeito positivo do vinho sobre a saúde intestinal e, também, seu efeito sobre a pressão arterial.
Uma área, porém, que tem recebido maior atenção recentemente é o papel que o vinho, sobretudo o tinto, pode ter na prevenção ou redução de doenças degenerativas do cérebro. Estas doenças ocorrem na forma de declínio cognitivo degenerativo (como o mal de Alzheimer) ou de origem vascular (demência vascular). E os estudos mostram que uma substância, em particular, pode ter um papel importante: o resveratrol.
Resveratrol
O resveratrol é um tipo de fenol natural, produzido por várias plantas em resposta a lesões ou quando estão sob ataque por patógenos, como bactérias ou fungos. Ele tem uma presença maior nas cascas de diversos alimentos, com destaque para uvas, blueberries, framboesas, amoras e amendoins. No caso dos vinhos, sua presença se deve em função do contato do mosto do vinho com as cascas, o que ocorre sobretudo quando na elaboração de vinhos tintos. E o vinho tinto não traz somente resveratrol, pois tem a presença de muitos outros polifenóis.
Porém, o impacto do resveratrol vem sendo seguido mais de perto, pois ele tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias bem reconhecidas. Estudos mostram que ele pode modular os resultados de desregulamentação de íons metálicos, assim como as principais características do cérebro do mal de Alzheimer.
Estudo parece indicar eficiência
Um dos estudos mais detalhados sobre o assunto foi publicado por cientistas italianos, em 2014. Uma das conclusões é que o resveratrol parece impedir a formação de partículas proteicas chamadas beta-amilóides. Esses beta-amilóides desempenham um papel fundamental na formação das placas no cérebro, que são uma marca registrada do mal de Alzheimer.
O estudo afirma de que o resveratrol, sendo um composto multi-alvo, pode representar uma ferramenta terapêutica eficaz em processos neurodegenerativos relacionados ao envelhecimento. Consistentemente, vários ensaios clínicos estão em andamento para testar sua eficácia como suplemento dietético para retardar a progressão da demência. Porém, os cientistas afirmam que há necessidade de estudos mais aprofundados para avaliar os impactos efetivos.
Revisão da literatura sobre o assunto
E esta conclusão também é dividida por um estudo publicado por três pesquisadoras brasileiras em 2020. Elas identificaram 667 artigos referentes à relação entre resveratrol e mal de Alzheimer. Destes, 619 foram excluídos por serem repetidos ou não se enquadrarem nos critérios de inclusão. O estudo, portanto, se baseou em 48 artigos.
Os resultados indicam que o resveratrol é um composto promissor e seguro para uso no tratamento, no entanto ainda existe evidência limitada que demonstra benefícios clínicos significativos. Assim, o resveratrol parece exercer efeitos benéficos sobre o mal de Alzheimer, devido às suas diversas propriedades farmacológicas. No entanto, sua aplicabilidade para o tratamento da doença é ainda limitada por diversos fatores. O caminho, portanto, parece promissor, mas novos estudos e testes são necessários.
Fontes: Resveratrol and Alzheimer’s disease: message in a bottle on red wine and cognition, Granzotto A. e Zatta P.; Resveratrol in Alzheimer’s disease: a review of pathophysiology and therapeutic potential, Canto e SOUSA et al.
Imagem: Gerd Altmann via Pixabay