Ter uma dieta saudável, com menor consumo de alimentos que tenham altas quantidades de gordura total e ácidos graxos saturados, é um importante fator para reduzir a incidência de doenças cardiovasculares. Este é um princípio geralmente aceito pelos médicos e pesquisadores, mas não parece ser suficiente para explicar o que é chamado de “Paradoxo Francês”.
Este termo se refere ao fato de que a população francesa apresenta uma taxa de incidência e mortalidade de doenças cardiovasculares relativamente menores que outras populações ocidentais. O que chama a atenção, e daí o paradoxo, é que isso acontece apesar da dieta francesa conter maiores quantidades de gordura total e ácidos graxos saturados do que outros países do Ocidente.
Consumo moderado de vinho tinto
A resposta para este aparente paradoxo não está somente na análise do que os franceses comem, mas também no que bebem. Os benefícios do consumo moderado de álcool têm sido destacados pela literatura científica e, nesta linha, o consumo de vinho tinto tem sido relacionado a um menor risco de doenças cardiovasculares.
Os estudos experimentais e meta-análises (análises estatísticas que integram o resultado de vários estudos) parecem confirmar isso. Os pesquisadores atribuem esse resultado à presença no vinho tinto de uma grande variedade de compostos polifenólicos, entre eles resveratrol, catequina, epicatequina, quercetina e, também, as antocianinas.
Importância do resveratrol
Dentre os compostos presentes no vinho, o resveratrol é considerado o mais eficaz na prevenção de doenças cardiovasculares. E isso decorre de suas propriedades antioxidantes. Os mecanismos responsáveis por seus efeitos cardioprotetores incluem alterações nos perfis lipídicos, redução da resistência à insulina, diminuição do estresse oxidativo e queda do colesterol.
Para quem não se lembra, o resveratrol é um tipo de fenol natural produzido por plantas, em resposta a lesões ou quando a planta está sob ataque de bactérias ou fungos. As principais fontes de resveratrol nos alimentos são as cascas de uvas, mirtilos, framboesas, amoras e amendoim.
Outros componentes
Porém, não é apenas o resveratrol que ajuda a proteger a saúde do seu coração. Outros componentes presentes no vinho, como os flavonóides, também desempenham importante papel na saúde cardiovascular. E, entre eles, dois velhos conhecidos de quem aprecia um vinho tinto: os taninos e as antocianinas.
Estes e outros compostos fenólicos presentes no vinho tinto têm mostrado propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Com isso, são capazes de reduzir a resistência à insulina e exercem um efeito benéfico, diminuindo o estresse oxidativo. Como consequência, há um efeito claro na redução dos fatores de risco e na prevenção de doenças cardiovasculares.
Saúde!
Portanto, você tem também a ciência como aliada na hora de abrir uma boa garrafa de vinho tinto. Estes estudos, embora ainda seja necessário um conhecimento mais aprofundado para entender a base molecular dos mecanismos potenciais envolvidos, deixam claro que uma ingestão moderada de vinho tinto pode produzir efeitos cardioprotetores.
Pense nisso ao brindar “saúde”, a expressão é muito mais literal do que você imaginava!
Fonte: Red Wine Consumption and Cardiovascular Health, Castaldo et all
Imagem: Please Don’t sell My Artwork AS IS via Pixabay