Viva a diversidade! Curta o vinho que gosta e explore novos mundos


Como em qualquer área, no mundo do vinho também existem “tribos”. Desde que isso não feche portas e não resulte em radicalismos extremos, isso é saudável e contribui para que a enorme diversidade do mundo do vinho continue. Já pensou quão chato seria o mundo se todo mundo gostasse dos mesmos vinhos? Nelson Rodrigues, que faria 112 anos em 2024, mostrou sabedoria quando afirmou que “toda unanimidade é burra”.

Confesso que admiro pessoas honestas e que defendem seus gostos e pontos de vista, mesmo que, algumas vezes, eu tenha gostos ou ponto de vistas muito diferentes. Com a explosão das mídias sociais, mais gente pode tornar suas opiniões sobre vinho públicas, o que enriquece o debate. Conheço gente que não teve medo de escrever que “não gosta de Pinot Noir”, ou que “adora vinhos com aromas e sabores que os outros enxergam como defeito”, ou mesmo que “não compra vinhos que passam por madeira”. O melhor de tudo é que cada um deles tem uma linha de raciocínio para justificar suas escolhas.

Ampliando o leque

Esta diversidade deve valer para tudo que se relaciona ao vinho. Um exemplo é na avaliação de safra. O que seria uma safra de alta qualidade? Quente ou fria? Seca ou com mais chuva? Este é um ponto interessante que já foi discutido no WineFun, pois não há dúvidas que critérios subjetivos são levados em conta. E aí entra a questão do gosto pessoal. De novo, cada um tem o direito de gostar e falar bem do que quiser, desde que isso não esteja acompanhado de ofensas ou ataques a terceiros.

A mesma questão surge nas tais avaliações de vinhos por sistemas de pontos. Pessoalmente, acho que elas trazem mais desvantagens que benefícios, mas entendo o ponto de vista de quem acredita no contrário. Uma preocupação que tenho é que elas, na imensa maioria das vezes, são subjetivas, ou seja, não são escalas absolutas como algumas pessoas ainda acreditam.

Meu maior temor às escalas de pontos, porém, é o quanto elas podem resultar em menor diversidade. Vimos nas décadas de 1990 e 2000 o domínio de um crítico de vinhos, Robert Parker. Por conta de seu gosto pessoal e enorme poder de influência, o resultado foi menor diversidade no vinho, com muitos produtores migrando para técnicas e estilo que gerasse “mais pontos”. E isso não foi bom, felizmente este tempo passou e a diversidade ganhou muito mais espaço.

Buscando também o novo

Voltando ao polêmico (sim, ele é autor também de algumas frases não tão felizes) Nelson Rodrigues, a sua afirmação sobre unanimidade era mais completa que a frase cotada anteriormente. A sentença completa foi “Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar”. Isso traz um ponto até mais interessante para discutir. Quando falamos de vinho (e creio que em quase tudo em nossa vida) é preciso pensar.

Ter opinião e gostos próprios é a consequência de muita coisa, sobretudo de um processo de descoberta e autoconhecimento. Mesmo tendo nossas opiniões e preferências, é importante estar em condições de defendê-las. Quando falamos de vinho, podemos gostar do que quisermos, mas também buscar entender por quê. E isso envolve pensar!

Portanto, tenha seus gostos e preferências, contribuindo para que o mundo do vinho continue sendo tão diverso. Mesmo fazendo parte de uma “tribo” ou não, explore novas fronteiras. Tenha sempre a cabeça aberta, pois a capacidade de aprender coisas novas talvez seja uma das grandes qualidades da nossa espécie. Um brinde à diversidade!

Como eu me descrevo? Sou um amante exigente (pode chamar de chato mesmo) de vinhos, um autodidata que segue na eterna busca de vinhos que consigam exprimir, com qualidade, artesanalidade, criatividade e autenticidade, e que fujam dos modismos e das definições vazias. A recompensa é que eles existem, basta procurar!

Disclaimer: Os conteúdos publicados nesta coluna são da inteira responsabilidade do seu autor. O WineFun não se responsabiliza por esses conteúdos nem por ações que resultem dos mesmos ou comentários emitidos pelos leitores.

Foto: Alessandro Tommasi, arquivo pessoal

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *