Quem tem uma adega grande e não plenamente catalogada sabe muito bem que muitas vezes algumas surpresas interessantes aparecem. Quase sempre estamos falando de vinhos que acabamos esquecendo por desatenção, algumas vezes verdadeiros tesouros perdidos. Porém, um produtor austríaco certamente traz um novo sentido à expressão “tesouros na adega”.
Ao reformar sua adega em Gobelsburg, no distrito de Krems, Andreas Pernerstorfer descobriu algo peculiar. Ele se deparou com ossos enormes, que revelaram ser ossos de mamutes da Idade da Pedra. Ele relatou o achado ao Escritório Federal de Monumentos, que o encaminhou ao Instituto Arqueológico da Academia Austríaca de Ciências (ÖAW).
Mamutes e humanos
Desde o início de maio, arqueólogos do ÖAW descobriram nesta adega uma “camada óssea significativa” contendo os restos de pelo menos três mamutes diferentes. “Uma camada tão densa de ossos é rara”, disse Hannah Parow-Souchon, que lidera a escavação. “É a primeira vez que conseguimos examinar algo assim na Áustria usando meios modernos – uma oportunidade única para pesquisa.”
Esta não foi o primeiro achado arqueológico na região. Em uma adega próxima, a cerca de 150 anos, descobriu-se artefatos de sílex, joias decorativas e resquícios de carvão, indicando atividade humana. Os achados naquela época indicavam uma idade de 30.000 e 40.000 anos e provavelmente pertencem ao mesmo conjunto de fósseis, de acordo com os arqueólogos Hannah Parow-Souchon e Thomas Einwögerer, do ÖAW.
Baleia em Montalcino
Esta não é, no entanto, a primeira grande descoberta que liga o vinho à arqueologia. Em 2007, o maior e mais antigo fóssil de baleia identificado na Itália e na bacia do Mediterrâneo foi encontrado. Desta vez sem possibilidade de ação predatória humana, o esqueleto completo de uma baleia de mais de 5 milhões de anos estava enterrado nos vinhedos de Brunello de Montalcino, que no passado distante era fundo do mar.
Fontes: Austrian Academy of Sciences (ÖAW); WineNews
Imagem: Gerada via IA com Magic Media