Albariño e Alvarinho: unindo e separando dois países

Albariño ou Alvarinho? Estamos falando da mesma uva, mas espanhóis e portugueses têm pontos de vista distintos. Em primeiro lugar, ainda não há certeza sobre a origem desta casta, embora estudos arqueológicos recentes indiquem uma elevada probabilidade que ela seja efetivamente autóctone do noroeste da Península Ibérica.

Estas pesquisas derrubaram o mito de que a variedade foi levada da França para a Galícia por monges cistercienses. Mas, sendo da região ibérica, seria originária de Portugal ou Espanha? Talvez esta é uma pergunta que nunca terá resposta…

Características

Independente de em qual país, a Albariño (escolhemos este nome pois a produção na Espanha é bem maior que em Portugal) é uma variedade de elevado vigor e boa fertilidade, que prefere solos graníticos e secos. Tem floração e maturação precoce, é pouco sensível à podridão, uma grande vantagem em áreas úmidas e de influência oceânica.

Mostra cachos pequenos e compactos, com grãos redondos e pequenos, de cascas grossas e coloração amarelo pálido. Este conjunto de características contribui para que a uva mostre elevada acidez e alta concentração de fenóis.

Diferenças regionais

Porém, as diferenças voltam a aparecer entre os principais países produtores na hora da colheita e vinificação. A produtividade na Espanha é bem maior, impulsionada pelo maior regime de chuvas e menor controle de quantidade. Mais importante, porém, são as diferenças entre os vinhos produzidos a partir desta casta nos dois países.

Em Portugal, geralmente encontramos vinhos mais leves, de coloração palha esverdeada. As notas olfativas são mais na linha de maçã verde, cítricos (limão, grapefruit e lima), melão e mineralidade lembrando pedra molhada. Na boca, acidez alta, corpo médio e muito frescor.

Na Espanha, o olfativo mostra uma gama mais ampla, incluindo também pêssego, marmelo, lichia e jasmim. Tendem a mostrar maior teor alcoólico, mantendo a elevada acidez e mais corpo, sobretudo quando passam por madeira, algo mais comum na Galícia do que em Portugal.

Uma característica comum, ao lado da elevada acidez, é o bom potencial de evolução, resultado da boa concentração de fenóis. Isso leva muita gente a identificar um leve tanino no gustativo. Outro ponto compartilhado é o frequente retrogosto levemente salino.

Expansão acelerada

Independente dos pontos comuns ou as diferenças entre as duas regiões, a Albariño é uma variedade que tem despertado maior atenção no cenário vinícola mundial, sobretudo em função dos esforços recentes de muitos produtores, no sentido de olhar mais para qualidade e menos para quantidade.

Vale lembrar que a produção de Albariño cresceu cerca de oito vezes entre 1990 e 2018 nas Rias Baixas e não faltaram críticas ao nivelamento por baixo de muitos produtores.

Área plantada e nomes alternativos

Segundo dados da OIV, em 2015 eram 9.119 hectares de Albariño plantados ao redor do mundo, com elevada concentração na Espanha (5.759 hectares, ou 63% do total) e Portugal (3.247 hectares, ou 35%). Na Espanha, representa cerca de 96,5% da produção total de vinhos da DO Rias Baixas, hoje a região do mundo com maior área plantada de Albariño.

O país que aparecia em um distante terceiro lugar no passado era a Austrália, mas estudos genéticos mostraram em 2009 que as videiras que se acreditavam originalmente fossem de Albariño na verdade eram de Savagnin Blanc.

A variedade também recebe outros nomes, boa parte deles também nas regiões norte de Espanha e Portugal, como Albarina, Alvarin Blanco, Alvarinha, Azal Blanco, Galego, Galeguinho e Alvarinho.

Fontes: Foundation Plants Services Grapes, UC Davis; Distribution of the World´s Grapevine Varieties, OIV; Instituto da Vinha e do Vinho Portugal; Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes; Vitiviticultura.net; Decanter

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