Muitos dos grandes vinhos do mundo passam por estágio em barris de carvalho, um processo que contribui para o envelhecimento e refinamento do vinho, ao mesmo tempo em que também traz impactos sobre aromas e sabores. Mas o papel do barril não se restringe a isso. Por muito tempo foram usados também como principal recipiente para o transporte de vinhos.
Mas não foi o primeiro recipiente. Evidências arqueológicas mostram que os primeiros vinhos elaborados no mundo eram armazenados e transportados em ânforas de barro. Mesmo antes do surgimento de Roma como principal potência, já existiam evidências de que os fenícios haviam desenvolvido um intenso comércio de vinhos no Mediterrâneo, com transporte em ânforas.
De onde vem o barril
Se, durante os primeiros séculos do domínio romano, a ânfora ainda era o meio favorito para transportar vinhos, já no final do Império o barril de madeira passou a ocupar este papel. Teria sido a engenhosidade dos romanos a responsável pela criação dos barris? As evidências arqueológicas indicam que não.
Os criadores dos barris de madeira teriam sido os celtas. Achados no sítio arqueológico de La Têne, no atual território da Suíça, evidenciam que a madeira já era trabalhada desde o quinto século antes de Cristo. Com as expansões romanas em direção à Europa Central e do Norte, a partir do início da era cristã, a tecnologia teria sido absorvida.
Vantagens
Os barris de madeira eram duráveis e fáceis de manusear. A forma cilíndrica, com uma protuberância no meio, facilitou seu transporte e manobra. Vários tratamentos internos e externos, somados à sua versatilidade, permitiram que os barris fossem usados para uma grande variedade de mercadorias
Rapidamente os romanos notaram que estes recipientes eram muito superiores às ânforas. Através de suas extensas redes de comércio espalharam os barris pela Europa, Oriente Médio e norte da África. Os romanos, portanto, tiveram papel central do uso dos barris para o transporte de vinhos.
Poucos avanços até hoje
Os barris celtas, identificados em sítios arqueológicos, já incluíam cintas de metal, um avanço que somente foi possível com o refinamento da tecnologia de uso do ferro. Os romanos, por sua vez, desenvolveram círculos de madeira ao redor dos barris, mas a técnica dos celtas voltaria a ser a dominante. Isso, porém, ocorreu somente no século XVIII.
De forma, geral, portanto, os barris atuais em muito se aproximam daqueles usados há mais de 2.000 anos, já que as técnicas de tanoaria não evoluíram muito ao longo de todo este tempo.
Fontes: The Cask Age: the Technology and History ofWooden Barrels, Diana Twede; A História do Vinho, Hugh Johnson; Wood Advocate
Muito importante essa leitura sobre o vnho.