Last Updated on 3 de dezembro de 2022 by Wine Fun
Como tantas áreas, não há como negar que o mundo do vinho também vive de fases distintas. Por exemplo, a partir da década de 1990 houve uma enorme transformação no que os consumidores esperavam de um vinho tinto. Sobretudo por conta da forte influência de críticos como Robert Parker, a preferência de muitos consumidores passou a ser por vinhos tintos mais intensos, mais alcóolicos e com maior presença de madeira. E isso está “saindo de moda” atualmente.
O que pouca gente sabe, porém, é que também para os espumantes e, sobretudo para os Champagnes, o mesmo ocorreu. No passado, a preferência por Champagnes mais doces era muito mais pronunciada, o que indica um padrão completamente distinto do atual. E esta preferência fica clara ao analisar Champagnes do passado, como por exemplo, a partir de amostras encontradas em um naufrágio achado em 2010.
Champagnes muito diferentes dos atuais
Em 2010, mergulhadores descobriram o naufrágio de um navio do século XIX no Mar Báltico, próximo da costa da Finlândia. E nele, foram encontradas garrafas intactas de Champagne, identificadas posteriormente como da safra 1839. Uma coisa em comum com presente foi rapidamente notada: os produtores.
As garrafas eram de casas até hoje existentes, como Veuve Clicquot Ponsardin, Heidsieck e Juglar (atualmente conhecida como Jacquesson). Mas o que havia dentro das garrafas era distinto: o grau de açúcar era muito maior. Os Champagnes resgatados do fundo do mar mostraram um teor de açúcar entre 140 e 150 gramas por litro. E como isso se compara com os níveis atuais?
Patamares atualmente inaceitáveis
O gosto do consumidor mudou radicalmente nestes 180 anos. Os Champagnes resgatados continham um teor de açúcar muito maior do que os mais doces elaborados atualmente, classificados como Doux. Em termos de doçura, portanto, estamos falando de um Champagne que supera em quase três vezes o nível de açúcar de partida da classificação Doux, que é de 50g/L.
E esta diferença seria ainda maior caso a carga de Champagnes tivesse como destino a Rússia, na época um dos maiores consumidores de Champagne. Os níveis de açúcar para o mercado russo na época eram ainda maiores, na faixa de 300 g/L, segundo documentação da Veuve Cliquot. A título de curiosidade, o teor de açúcar da Coca Cola é em torno de 110 g/L.
Fontes: Comite Champagne; Chemical messages in 170-year-old champagne bottles from the Baltic Sea: Revealing tastes from the past, Jeandet et al
Imagem: Matej Tomazin via Pixabay