Cientistas mapeiam genoma da filoxera e solução para a praga fica mais próxima

Com um “pequeno atraso” de mais de 150 anos, a ciência parece ter identificado um caminho promissor para erradicar a filoxera. Causada por um pequeno pulgão, esta praga destruiu uma parcela significativa dos vinhedos europeus na segunda metade do século XIX e até agora vem sendo apenas controlada, sem uma solução definitiva.

Mas isso pode mudar. Uma equipe internacional, envolvendo os pesquisadores Miquel Barberà e David Martínez, do centro da Universidade de Valência e do CSIC, decifrou o genoma da filoxera. O estudo foi publicado recentemente na revista BMC Biology.

Confirmação da origem e caminho de expansão

A pesquisa confirmou tanto a origem como o caminho que levou a filoxera da América do Norte para Europa. Este tipo de pulgão, que se alimenta da seiva que obtém das raízes das videiras, é originário dos limites superiores do rio Mississippi. Foi descrito pela primeira vez em 1854 pelo entomologista Asa Fitch nos Estados Unidos, mas foi na Europa que sua presença foi sentida.

Causou alguns surtos iniciais de infecção na França em 1863 até ser definitivamente identificado em 1868 por Bazille, Planchon e Sahut em Montpellier. O intenso comércio de videiras entre os Estados Unidos e a Europa teria sido a porta de entrada acidental do inseto, que se espalhou por toda a França – o país mais afetado pela praga – e outros territórios europeus.

Os pesquisadores também confirmaram que a filoxera que invadiu a Europa veio da espécie Vitis Riparia, um tipo selvagem de videira americana.

Aplicação efetiva

Do ponto de vista aplicado, as informações do novo estudo permitirão o melhoramento genético na prática da viticultura. Assim, uma melhor compreensão da evolução e dos mecanismos da filoxera ajudará a desenhar estratégias que bloqueiem sua ação, através de intervenções na planta ou mesmo no parasita.

Desde o final do século XIX a técnica de melhor resultados tem sido a de porta-enxertos. Nela, são usadas tanto a base a as raízes de vinhas de Vitis Riparia, como base para um enxerto de variedades de Vitis Vinifera. A proteção já adquirida pela Vitis Riparia garante a defesa das raízes, evitando que o ciclo da filoxera se propague pela planta.

Fonte e imagem do pulgão: The genome sequence of the grape phylloxera provides insights into the evolution, adaptation, and invasion routes of an iconic pest, Miquel Barberà e David Martínez et all

Imagem: Arek Socha via Pixabay

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