Cinco vinhos de Luciano Sandrone

Foi um prazer visitar a Cantina Luciano Sandrone e conhecer a última safra disponível de vários de seus vinhos, contando com a presença de Barbara e Stefano Sandrone, além da visita guiada por Lucia Calancea. Atualmente produz 120 mil garradas (cerca de 50% de Barolo e 50% dos demais), a partir de 27 hectares, dos quais 24 em Barolo e três em Roero. Abaixo minhas impressões sobre os vinhos:

Dolcetto d’Alba 2023, 14%

As uvas provêm de onze parcelas situadas nas colinas altas de Barolo, com solos de alto teor de calcário. Cada parcela é vinificada separadamente, com fermentação natural em tanques de inox e estágio de três meses em garrafa. Uma excelente representação da delicada safra 2023, com frescor e boa qualidade de fruta. Coloração rubi de média concentração, com olfativo primário: fruta vermelha (cereja, framboesa) bem potente, com discreta especiaria. Palato de boa acidez, taninos presentes e corpo médio, um Dolcetto leve e fresco, com leve toque de amêndoa no final de boca.

Barbera d’Alba 2022, 14%

Este Barbera é um blend de quatro vinhedos: Cascina Pe Mol em Monforte d’Alba, Ravera e Rocche di San Nicola em Novello, além de Albarella, em Barolo. Na vinificação, feita individualmente, em todas as safras um dos quatro não é desengaçado. Após fermentação em inox, o vinho fez maloláctica e estágio de 12 meses em tonneaux franceses (cerca de 35% novos), com mais nove meses em garrafa. Coloração púrpura de média a alta concentração, com olfativo marcado por aromas intensos de frutas vermelhas e negras, especiarias, lavanda e toque de madeira. Na boca, alta acidez, tanino finos e corpo médio, com bastante fruta e boa profundidade.

Nebbiolo d’Alba Valmaggiore 2022, 13,5%

As uvas de Nebbiolo têm origem em parcelas em Valmaggiore (um dos vinhedos mais bem avaliados de Roero), que, com solos arenosos, traz características diferentes: mais leveza e elegância. Vinificação em linha com o Barbera, o que muda é o envelhecimento em carvalho, que usa exclusivamente botti usados. Visual granada de média a baixa concentração, com nariz trazendo framboesas, cerejas, rosas e romã. Um Nebbiolo leve, com boa acidez, taninos presentes, corpo médio a baixo. 

Barolo Le Vigne 2020, 14,5%

Este seria o Barolo “de enólogo”, composto por uvas de cinco vinhedos diferentes ao redor da área de Barolo (Baudana em Serralunga d’Alba, Villero em Castiglione Falletto, Vignane em Barolo, Le Coste em Monforte d’Alba, Merli em Novello). Cada um deles é vinificado individualmente, com cerca de dois anos de estágio em tonneaux e mais 18 meses de garrafas. Antes do engarrafamento, é feito o blend, que varia a cada safra. Um Barolo mais intenso e expressivo, um vinho “mais moderno”. Coloração rubi com leve halo alaranjado, trazendo notas intensas de cereja vermelha e negra, ameixa e tabaco. Palato intenso e “redondo”, com alta acidez, fruta bem presente, corpo médio e taninos bem intensos.

Barolo Aleste 2020, 14,5%

Este seria o Barolo de “terroir”, com uvas provenientes de um único vinhedo (Canubbi Boschis, nome que este vinho carregava até 2012). O nome atual é uma homenagem de Luciano Sandrone aos netos ALEssia e STEfano. Vinificação em linha com o anterior, se mostrou mais clássico, tradicional e refinado. Fruta mais contida no nariz, com maior presença de notas terciárias (tabaco em destaque) e toque terroso. Na boca, um Barolo de alta acidez e taninos presentes, mais seco, austero e concentrado, com uma textura rendada e notas mais terciárias também no palato.

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