Hoje em dia pode parecer óbvio que a melhor embalagem para o vinho é a garrafa de vidro, com uma rolha de cortiça fazendo o fechamento. No entanto, considerando a história de mais de 8.000 anos do vinho, foi somente nos últimos 350 anos que esta combinação realmente passou a ser usada.
Porém, para que esta combinação funcione, existe um elemento extra, que é fundamental: o saca-rolha. E vale a pena conhecer um pouco sobre a história de como ele foi criado, assim como já fizemos com a história da garrafa de vidro e da rolha de cortiça.
Inglaterra na dianteira
A real necessidade para a criação do saca-rolhas surgiu com a popularização do uso da garrafa de vidro como embalagem para o transporte e o consumo de vinhos. E isso veio somente a partir da década de 1650. Já o uso mais intensivo da rolha ocorreu a partir do final do mesmo século, embora não da forma dominante como ocorre hoje em dia.
E a origem das primeiras versões do saca-rolha tem uma ligação com um instrumento usado na área militar. Na época, os soldados usavam uma peça comprida de metal, com uma estrutura que lembra um saca-rolha em sua ponta e que era usada para limpar a parte interna dos mosquetes. Com esta ferramenta, chamada de gun worm em inglês, era possível retirar os resíduos de cargas anteriores de munição dos canos dos mosquetes.
Por conta disso, a primeira referência a um saca-rolhas ocorreu na década de 1680. Estes instrumentos, chamados de steel worms (“vermes de aço”), eram variações dos gun worms, também fabricados por ferreiros ligados à fabricação de armas.
O primeiro saca-rolhas patenteado
Centro da Revolução Industrial e principal destino dos vinhos de muitas regiões produtoras, como Bordeaux e Portugal, é natural que a Inglaterra ficasse no centro da criação de novos utensílios para o vinho. E a primeira patente de saca-rolhas foi concedida em 1795 na Inglaterra, ao reverendo Samuel Henshall.

Henshall, um pároco em Oxford, contou com a colaboração de Mathew Boulton, um industrial de Birmingham, para trazer seu saca-rolhas ao mercado. A principal melhoria de Henshall no “verme de aço” existente foi a inserção de um disco côncavo, entre a alça e a espiral. O disco servia dois propósitos principais. Em primeiro lugar, impedia que seu usuário aparafusasse muito fundo na rolha, o que poderia rompê-la. Mas o motivo principal é que ele força a própria rolha a girar, quando esse limite é atingido. Isso, por sua vez, facilita que a rolha seja desacoplada do gargalo da garrafa de vidro.
Modelos diversos
A partir da patente concedida a Henshall, o mundo foi inundado por novos modelos de saca-rolhas. Por exemplo, o que hoje é conhecido como o saca-rolhas de dois estágios, faca garçon ou faca sommelier, foi patenteado pelo alemão Carl F.A. Wienke em 1882. Por conta de sua praticidade, se tornou extremamente popular, tanto entre profissionais de restaurantes e bares como para quem bebe seus vinhos em casa.

Mas nem todo o saca-rolhas precisa furar a rolha. Pensando nisso, o francês Charles Pégé recebeu em julho de 1887 a patente do saca-rolhas de lâminas (ou de pinças), também chamado de Ah So. Ele é atualmente muito usado para garrafas de safras mais antigas, onde as rolhas possam estar comprometidas.

Outro saca-rolhas muito popular é aquele chamado saca-rolhas de abas, que foi inicialmente patenteado na Inglaterra por H.S. Heely, em 1888. Ele ganhou popularidade a partir da patente dada em 1930 ao italiano radicado nos Estados Unidos Dominick Rosati.

Desde então, centenas de novos modelos foram patenteados, e não faltam opções para retirar a rolha da garrafa, seja de forma manual como elétrica. Cabe a cada um escolher o modelo que prefere ou se adapta melhor e usar este utensílio que certamente teve sua contribuição para popularizar o consumo de vinho.
Fontes: A História do Vinho, Hugh Johnson; L’Atelier du Vin; The Quarterly Worm; VinePair; National Geographic
Imagem: jsnewtonian via Pixabay