Conhecendo o mundo do vinho: como definir Velho Mundo e Novo Mundo

Last Updated on 17 de fevereiro de 2024 by Wine Fun

Quando se fala de vinhos, é muito comum ouvir a distinção entre Velho Mundo e Novo Mundo. Mas será que existe uma diferença tão grande entre os vinhos elaborados nas regiões tradicionais da Europa em relação àqueles produzidos no restante do mundo? E quais países fazem parte destas definições?

A segunda pergunta é fácil de responder. Em geral, por Velho Mundo a referência fica para os países europeus com longa tradição no mundo do vinho. Assim, nações como França, Itália, Alemanha, Espanha e Portugal (embora este último com algumas ressalvas) são os principais destaques, mas outros também podem ser mencionados, como Áustria, Grécia, Suíça etc.

Já Novo Mundo, a princípio, incluiria a América do Norte e todo o Hemisfério Sul, onde, na teoria, a vinicultura seria mais recente e, em grande parte, introduzida por imigrantes europeus. Existe uma espécie de vácuo na definição sobre vinho na Ásia, embora existam regiões com tradição muito longa, como a Geórgia (onde o vinho foi elaborado pela primeira vez) e a China, também de tradição milenar.

Critério pouco objetivo

Esta lacuna em relação à Ásia deixa evidente que esta definição de “Europa versus o resto” está longe de ser precisa. Vinho era elaborado no que hoje é Líbano e Turquia muito antes do que na Alemanha, por exemplo. Não é difícil afirmar que a Nova Zelândia é um país de tradição recente no vinho, mas o que dizer da África do Sul, que há mais de 300 anos elabora vinhos consumidos e apreciados em escala mundial?

Deste modo, embora seja muito utilizada, esta divisão geográfica precisa ser usada com cuidado. Até porque o mundo está em constante evolução e o vinho acompanha isso. México e Perú elaboram vinhos há mais de 400 anos, por conta da colonização espanhola. Já a Inglaterra entrou de vez para o mundo dos vinhos nos últimos 20 anos, beneficiada pelo aquecimento global. Não há dúvidas que as duas nações da América Latina têm muito mais tradição que este país europeu.

Estilo de vinificação

Mas a questão geográfica não é única levada em conta. Para muita gente, vinhos do Velho Mundo são aqueles mais frescos, austeros e elegantes, onde há uma maior influência do terroir. Novo Mundo, por sua vez, representaria vinhos mais frutados, intensos e alcóolicos, onde a potência fica acima da elegância.

Embora estas associações possam ser usadas em muitos casos, está muito longe de ser uma regra geral. É inegável que a tradição de centenas de anos na Borgonha, onde monges aprimoraram o cultivo de uvas a partir do século XII, leve ao um conhecimento extremamente detalhado do terroir, podendo resultar em vinhos de alta qualidade. Porém, existem regiões na Europa onde houve uma profunda alteração no estilo de vinificação, como o Douro, onde vinhos tranquilos passaram a ser elaborados em grande escala somente nas últimas décadas.

Além disso, o próprio estilo de elaboração muda ao longo do tempo. Não foram poucas as vinícolas na Europa que mudaram a forma de elaborar seus vinhos, para atender aos critérios estabelecidos por consumidores ou críticos. Por exemplo, por conta do estilo proposto por críticos como Robert Parker, diversos vinhos europeus passaram a apresentar mais características associadas ao Novo Mundo do que Velho Mundo.

Novas fronteiras

Por outro lado, muitos produtores de regiões do chamado Novo Mundo vinificam suas uvas em um estilo muito mais elegante, em linha com o que seria associado ao Novo Mundo. Algumas regiões, como diversas áreas na África do Sul, são conhecidas por vinhos que lembram muito os europeus, com o país sendo considerado por muita gente como “velho mundista” em estilo, mesmo estando no Hemisfério Sul.

Além disso, os horizontes do mundo do vinho estão se expandindo. Se existem áreas novas na Europa, também em regiões fora dela novas denominações de origem estão sendo criadas. Em quase todo o mundo a busca é por vinhedos em áreas mais frias ou em maior altitude. O objetivo é, em geral, elaborar vinhos mais frescos e elegantes, em linha com o paladar vigente atualmente. E isso coloca estas regiões em comparação direta com algumas regiões da Europa.

Assim, fica evidente que a barreira existente entre Velho e Novo Mundo está cada dia mais tênue. Um vinho de Oregon, da Patagônia ou de Central Otago pode ser mais próximo do conceito de Velho Mundo do que um vinho da Puglia, do Languedoc ou do Alentejo. Obviamente, tradição e conhecimento acumulado por múltiplas gerações conta muito, mas é inegável que as fronteiras do mundo do vinho estão rapidamente mudando, sobretudo dentro do contexto de aquecimento global. Falar em Velho ou Novo Mundo, desta forma, exige uma grande dose de cautela.

Imagem: Ylanite Koppens via Pixabay

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