Se a polêmica a respeito do uso do termo Champagne na Rússia sacudiu o mundo do vinho nas últimas semanas, ela está longe de ser a única controvérsia envolvendo denominações de origem na Europa. A decisão assinada por Vladimir Putin, no sentido de alterar os contra-rótulos dos vinhos espumantes da Rússia, nem foi a primeira envolvendo a região francesa da Champagne, já envolvida, entre outras, em uma disputa com um vilarejo suíço.
Mas a polêmica sobre uso de nomes não fica restrita à região francesa onde são elaborados os melhores espumantes do mundo. Recentemente, uma nova controvérsia envolve outras regiões produtoras de espumantes: o Vêneto e o Friuli-Venezia Giulia. É nestas regiões do nordeste da Itália que é elaborado o Prosecco, possivelmente um dos maiores sucessos comerciais dos últimos anos no mundo dos vinhos.
Solicitação croata
E a disputa começou após uma solicitação da Croácia, que é país membro da União Europeia (UE) desde 2013. O objetivo do país, que foi vice-campeão da última Copa do Mundo, é o reconhecimento dos Prošek, vinhos de sobremesa elaborados sobretudo na região da Dalmácia. Vale lembrar que esta é segunda vez que os croatas solicitam o reconhecimento do termo. Ele já havia sido submetido quando da entrada na UE, mas descartado após pressão dos italianos.
Para os italianos, defendendo os interesses da denominação de origem Prosecco, a solicitação croata envolve um nome muito próximo do utilizado pela denominação italiana. Isso, na sua visão, poderia criar dúvidas para os consumidores. Um dos pontos da ofensiva italiana deixa claro que partes da Dalmácia foram parte da República de Veneza no passado. E este fato implicaria que a semelhança entre os nomes seria mais do que apenas uma coincidência.
Já os croatas vêm a questão de outra forma. Os produtores de Prošek afirmam que seu vinho remonta a mais de 2.000 anos (sendo já consumido durante o Império Romano). Embora o Prosecco também tenha uma longa história, foi só na década de 1930 que as regiões do Vêneto e Friuli-Venezia Giulia foram demarcadas oficialmente como áreas produtoras de Prosecco.
Bom senso
Da mesma forma que na disputa entre o vilarejo suíço de Champagne e a região francesa, a controvérsia entre italianos e croatas parece mostrar uma certa falta de bom senso. Se no caso do nome Champagne, parece pouco provável que o consumidor confunda um vinho tranquilo suíço com um espumante francês, também a probabilidade de confundir um vinho de sobremesa croata, que lembra um Vin Santo, com um espumante italiano parece pequena.
Obviamente, as denominações de origem têm todo o direito de se defender contra o uso indevido de seus nomes. Porém, estas disputas devem também levar em conta a história e tradição vinícola de diversas regiões, não somente daquelas que, por conta de seu volume de produção e poder político, conseguem quase sempre se impor nestas disputas.
Fontes: The Guardian; Newsblock
Imagem: Ivan Ivankovic via Pixabay