E-commerce e vinho falsificado: Itália desbarata fraude internacional

Se as regras de isolamento social fizeram crescer o volume do e-commerce, inclusive para o segmento de vinhos, isso não passou despercebido para os fraudadores. A política italiana desbaratou nesta semana uma quadrilha especializada na falsificação de vinhos raros e caros, cujas garrafas eram vendidas pela plataforma de e-commerce e-Bay na Europa.

O golpe já é conhecido e já foi registrado no mercado de leilões de vinhos raros, inclusive uma de suas ocorrências foi retratada no filme Sour Grapes, que relatou as aventuras do fraudador indonésio Rudy Kurniawan. Mas esta é a primeira vez que uma operação de porte atinge o mercado europeu de e-commerce. O golpe consiste, basicamente, em recolher em restaurantes garrafas vazias de vinhos italianos e estrangeiros caros e raros, alguns deles valendo acima de 1.000 euros. A seguir estas garrafas são preenchidas com vinhos baratos, fechadas e lacradas com materiais falsos e vendidas online.

A investigação, coordenada pela sub-procuradora Erica Battaglia, do Ministério Público de Brescia, contou com a busca de nove suspeitos em diversas províncias  italianas (Pisa, Prato, Avellino, Barletta-Andria-Trani, Brescia, Como, Foggia e Roma). E foi em Brescia, onde duas pessoas foram presas, que foram encontradas garrafas autênticas vazias de vinhos caros (geralmente DOCGs ou IGTs), rolhas, cápsulas, caixas de madeira e selos de garantia falsificadas. A adega também continha uma grande quantidade de garrafas de vinho cheias e lacradas, de diversas marcas de prestígio, italianas e estrangeiras. Todas falsificadas e prontas para comercialização.

Após a falsificação, as garrafas eram vendidas na Itália, Espanha, Alemanha, Bélgica, França e EUA, principalmente através do e-Bay. Confirmando o ditado que “o barato sai caro”, os preços eram bastante competitivos, muito abaixo dos praticados com os vinhos autênticos. Este foi, aliás, um dos elementos que levou potenciais consumidores a denunciar o esquema. Contribuíram para a investigação 16 produtores de vinhos italianos, além do próprio e-Bay.

Imagem: Markus Spiske do Pixabay

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