Fim da luta: China elimina sobretaxas sobre o vinho australiano

O capítulo final de uma longa disputa. Três anos e meio após a imposição de pesadas sobretaxas sobre o vinho australiano, a China decidiu pela volta do comércio de vinho em larga escala entre os dois países. O Ministério do Comércio chinês confirmou em 28 de março de 2024 que “encerraria a cobrança de direitos antidumping” sobre vinhos importados da Austrália, com validade a partir de 29 de março.

O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, declarou que seu governo saudou a decisão e confirmou que abandonará seu processo contra a China na Organização Mundial do Comércio (OMC). “A reentrada dos vinhos engarrafados australianos no mercado chinês beneficiará tanto os produtores australianos quanto os consumidores chineses”, disse ele.

Sobretaxas e enorme redução nas exportações

As sobretaxas, que variaram entre 107% e 212%, foram introduzidas em 2020 para diversas das marcas de vinho mais conhecidas da Austrália. Este movimento dos chineses fez parte de uma ampla disputa diplomática entre os governos de Canberra e Pequim. Ela envolvia não somente comércio, mas também direitos humanos, segurança nacional e COVID-19. Na época, o governo chinês proibiu também a entrada de outros produtos australianos. Entre eles, carvão, lagostas, cevada e outros itens de exportação, com valor de cerca de US$ 20 bilhões.

Na época, os chineses deixaram clara sua justificativa. Eles acusaram diversos produtores australianos, incluindo o gigante Treasury Wine Estates, de vender vinhos no mercado chinês a preços artificialmente baratos, o chamado dumping. Para Beiing, estas práticas comerciais distorciam a competição e prejudicavam os produtores locais. As alegações, porém, foram prontamente rejeitadas por exportadores australianos e pelo governo.

O impacto sobre os produtores australianos foi significativo e a retirada das sobretaxas deve abrir um novo capítulo na relação comercial entre os dois países. A Treasury Wines, dona da marca Penfolds, afirmou que buscará expandir suas operações na China, depois de perder 97% de seu mercado após a implementação das tarifas. As exportações de vinho da Austrália para a China atingiam cerca US$ 1,1 bilhão em 2019 e, entre 2019/2020, o mercado chinês era o primeiro destino dos vinhos australianos, com 39% do valor total das exportações. Após a decisão chinesa, caíram para quase zero.

Perspectivas

O governo chinês afirmou que a decisão de suspender as sobretaxas foi tomada após analisar o mercado local de vinhos. Em comunicado, afirmou que “O Ministério do Comércio decidiu que, tendo em vista as mudanças na situação do mercado de vinhos na China, não é mais necessário impor direitos antidumping e compensatórios sobre vinhos importados da Austrália”.

A medida representa um alívio para os australianos. Em nota, o CEO da Treasury Wines, Tim Ford, mostrou uma postura otimista. “Estamos ansiosos para fazer parcerias com nossos clientes locais para restabelecer nosso portfólio no mercado chinês, enquanto continuamos a ser um contribuinte significativo para o desenvolvimento e crescimento da indústria vinícola chinesa.” O primeiro-ministro Albanese afirmou que espera que as exportações de vinho australiano para a China atinjam novos máximos.

Nem todos, porém, têm esta visão otimista. A crise econômica da China fez as vendas de vinho caírem em todo o país. O presidente-executivo da Accolade Wines, Robert Foye, disse que não espera que o comércio retorne aos níveis pré-pandemia. “Embora não antecipemos um retorno aos níveis de 2020, vemos uma oportunidade considerável para nossos negócios na China. Estamos entusiasmados com o potencial de longo prazo que esse mercado traz”.

Fontes: Brisbane Times

Imagem: PIXLR AI Image Generator

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