Fundada em 1890, por muito tempo a La Rioja Alta focou sua elaboração de Gran Reserva em dois vinhos: 890 e 904 (ambos com alusão a datas importantes da história da vinícola). Desde 2012, porém, o Viña Arana passou para o patamar de Gran Reserva, o que não impede, porém, que os dois anteriores sigam sendo as principais expressões deste produtor. Foi um prazer degustar quatro exemplares destes vinhos em visita recente à vinícola, em Haro.
Gran Reserva 904 1997, 13,2%
A safra 1997 recebeu somente a classificação “Boa” do Consejo Regulador da Rioja, o que não impediu, porém, a La Rioja Alta de lançar este vinho, disponível somente em safras de grande destaque. Corte de 90% Tempranillo e 10% Graciano, com fermentação de 12 dias e maloláctica em tanques de inox, estágio de quatro anos em barricas de carvalho americano e trasfegas a cada seis meses. Um vinho ainda dentro da sua janela ideal de consumo, já bastante terciário, com aromas de côco, tostado, couro, balsâmico e especiarias, deixando a fruta em segundo plano. No palato, mostrou boa acidez, corpo médio a alto e taninos ainda bem presentes. Um vinho intenso e profundo, quase picante, destacando mais estrutura do que tensão e vibração
Gran Reserva 904 2004, 13,7%
Assim com os Gran Reserva seguintes, este vinho também representa uma colheita classificada como “Excelente” pelo Consejo. Mesmo corte e vinificação do anterior, porém, alguns patamares acima, tanto em termos de equilíbrio como precisão. Com menor concentração de cor, mostrou um olfativo bastante complexo, com aromas de frutas vermelhas e negras, chá preto, café, balsâmico, menta, chocolate e leve tostado. O palato, porém, foi o ponto alto. Trouxe alta acidez, taninos finos e corpo médio, se mostrando mais fino, elegante e profundo. Preciso e vertical (apesar de um meio de boca redondo) mostrou bastante fruta e algo de madeira também no palato. Sem dúvida alguma, um grande vinho.
Gran Reserva 890 2001, 13,5%
Considerado o vinho da mais alta gama da vinícola, o que esperar dele na safra 2001? Corte de 95% Tempranillo, 3% Graciano e 2% Mazuelo, com alta concentração de vinhas velhas e proveniência dos melhores vinhedos próprios. Vinificação em inox, com estágio de seis anos em barricas americanas (20% novas e o restante de quatro anos), sem filtração antes do engarrafamento. Mesmo com quase 25 anos de sua safra, mostrou um olfativo mais fechado, com fruta vermelha, côco, caixa de charuto, menos balsâmico, com notas de chá preto. Já o palato foi explosivo, com alta acidez, corpo médio a alto e taninos finos. Pareceu muito mais jovem, com um core de frutas bem presente, um vinho intenso, denso e concentrado, porém muito equilibrado.
Gran Reserva 890 2010, 14%
Mesmo corte e vinificação do anterior e de outra safra de grande destaque. Se o anterior mostrava potencial para seguir no ápice de sua janela de consumo, aqui o potencial está claro, mas o seu pico ainda parece distante. Olfativo com fruta vermelha (sobretudo cereja bem intensa), com notas tostadas, côco, cedro e algo balsâmico. Na boca, mostrou alta acidez, taninos de alta gama ainda em evolução e corpo médio a alto. Outro exemplo de um vinho preciso, concentrado e com múltiplas camadas, trazendo frescor e finesse. O tempo dirá se este Rioja superará ou não o 2001.