Poliziano é um dos produtores de destaque da região de Montepulciano. Criada em 1961, a vinícola traz, em seu nome, uma homenagem aos habitantes locais, já que no dialeto local Poliziano se refere aos nativos de Montepulciano. Foi um prazer provar alguns de seus vinhos e avaliar diferenças entre cuvées e safras, no recente Encontro Mistral organizado por seu importador no Brasil.
Rosso di Montalcino 2022
Uvas de cultivo orgânico certificado (desde 2021) provenientes de diversas parcelas na área da comuna de Montepulciano, a cerca de 280 a 350 metros de altitude. Fermentação em tanques de inox com leveduras indígenas, com 10 meses de envelhecimento em tanques de cimento. Este é o vinho de entrada, um 100% Sangiovese, de uma safra quente, mas não tão seca. Um vinho já pronto para o consumo, com notas de frutas vermelhas e leve toque terroso e sanguíneo, boa acidez, corpo médio e taninos discretos. R$ 376 no site da Mistral.
Vino Nobile di Montepulciano 2018
As uvas (85% Sangiovese; 15% Colorino, Canaiolo e Merlot) provêm de vinhedos um pouco mais altos (300 a 420 metros), a partir de videiras plantadas entre 1965-2015. Se a primeira parte da vinificação segue as linhas do anterior, muda o envelhecimento: 18 a 20 meses em uma combinação de barricas (das quais 25% a 30% novas), tonneaux e botti (cada um com terço). Bem mais complexo e denso, com frutas maduras, mais corpo, profundidade e estrutura. Ainda traz notas de carvalho, merece mais algum tempo em garrafa. R$ 551.
Vino Nobile di Montepulciano 2020
Duas mudanças significativas em relação ao mesmo vinho da safra 2018. A colheita 2020 foi um pouco mais fresca e menos seca, enquanto também mudou o regime de envelhecimento, sem passagem por barricas, somente tonneaux e botti. O resultado? Um vinho com mais fruta vermelha, mais fresco e elegante., porém ainda austero e um pouco fechado, com taninos mais presentes e boa profundidade. Vale a pena manter esta garrafa na adega, belo potencial por aqui. R$ 564.
Vino Nobile di Montepulciano Asinone 2017
Este é um corte (90% Sangiovese, 10% Canaiolo e Colorino) com uvas provenientes de um vinhedo específico de mesmo nome, localizado a 380 a 400 metros de altitude e com alta proporção de argila. Estágio de 16 a 18 meses em tonneaux de carvalho francês. A safra 2017 foi supreendentemente quente e seca, parte desta “nova fase” para as colheitas na região. Por conta de macerações mais longas (em torno de 15 dias), um tinto bastante concentrado e encorpado, trazendo aromas de frutas negras, toque de carvalho e notas terciárias. Intenso e com taninos bem presentes, peca um pouco no equilíbrio entre estrutura e drinkability. R$ 1.051.
Vino Nobile di Montepulciano Asinone 2020
Além de 2020 ter sido uma safra mais equilibrada do que 2017, o produtor também ajustou o estilo, com macerações mais curtas. O resultado foi um 100% Sangiovese também de grande estrutura e profundidade, porém com muito mais frescor e equilíbrio. Frutas vermelhas, grafite e toque de cedro no olfativo, com boa acidez, corpo médio a alto e taninos presentes. Um vinho de alta gama, com belo potencial de guarda, foi o meu favorito no painel. R$ 1.128.
Le Stanze 2015
Corte de 70% Cabernet Sauvignon e 30% Merlot, com uvas provenientes de parcelas situadas a cerca de 250 a 350 metros, em solos com maior proporção de areia que os anteriores. Na vinificação, 16 meses em barricas novas de carvalho francês. Apesar da proporção de Merlot acima do normal das últimas safras (em torno de 10%), se mostrou bastante austero, principalmente na comparação com outros cortes bordaleses da Toscana. Fruta negra e discreta nota herbácea no nariz, com corpo médio a alto, taninos presente e boa acidez, um vinho intenso e já dentro de sua janela ideal de consumo. R$ 1.182.