Nebbiolo: sensível e temperamental, mas maravilhosa

Last Updated on 4 de maio de 2025 by Wine Fun

Se a nível internacional muita gente acredita que a Pinot Noir seja a “rainha das uvas tintas”, ao falar de variedades italianas quase todos concordam que a Nebbiolo ocupa uma posição na alta nobreza. E talvez não tenha ganho ainda mais popularidade e destaque a nível internacional porque segue sendo uma uva quase que exclusivamente plantada no noroeste da Itália, que concentra cerca de 95% da Nebbiolo no mundo.  

A Nebbiolo é a uva base de uma parte significativa dos grandes vinhos italianos, como Barolo, Barbaresco, Gattinara e Valtellina, apesar de ser uma uva pouco plantada. Sim, a fama que a Nebbiolo já tem não vem de quantidade, mas sim de qualidade. Analisando a área plantada das diversas variedades na Itália, ela aparece apenas em um distante vigésimo-nono lugar. Sua área plantada corresponde a apenas 7% da Sangiovese ou menos de 1% do total.

Origem incerta

Apesar de ser uma uva ainda muito concentrada no Piemonte, Lombardia e Vale d’Aosta, ainda não existem estudos científicos comprovando sua origem. É provável que seja nesta região, pois existem características genéticas comuns com outras variedades locais, como a Freisa. Porém, a “árvore genealógica” da Nebbiolo ainda não foi identificada, como já ocorreu, por exemplos, com a Cabernet Sauvignon. Mas vale lembrar que a primeira menção na história da Nebbiolo, em 1266, foi feita próxima a Turim, no Piemonte. Isso também reforça a teoria de origem no Piemonte.

De onde vem o nome?

Em relação a seu nome, existem duas vertentes. A primeira identificaria a uva pela sua casca, que teria uma coloração nublada (nebbia significa névoa em italiano). A alternativa seria que o nome também viria da palavra nebbia. Porém, a referência seria ao fato de, por ser ela uma uva de colheita bem tardia, sua colheita ocorre nas manhãs do meio do outono. Nesta época, já existe uma neblina característica no Piemonte.

Características

Menos controvertida é a afirmação de que ela é uma uva de difícil cultivo. A Nebbiolo é caracterizada por uma forte sensibilidade a fatores climáticos (temperatura, ventos, umidade), solo (capacidade hídrica, composição) e terroir (altitude, orientação do vinhedo em relação ao sol). Além disso, é uma variedade de muito vigor, o que demanda tratamento rigoroso no vinhedo para obtenção de uvas de qualidade. Em poucas palavras, uma nobre bem sentimental e de temperamento difícil. Apesar disso, nunca foi abandonada pelos viticultores, em função da qualidade dos vinhos que pode produzir.

Em relação a suas características físicas, é uma uva de ciclo muito longo, com brotação prematura e colheita tardia (mais uma combinação de fatores que dificulta a vida do produtor). Mostra cachos médios a grandes, de formato piramidal, com grãos arredondados e de tamanho médio, com casca fina, mas resistente e tânica.

Vinhos

Os vinhos produzidos a partir dela são um capítulo à parte. Para Jancis Robinson, é uma das poucas uvas que podem ser identificadas somente pela cor. Dá origem a vinhos de tom tijolo-alaranjado na borda de um rubi escuro, mesmo relativamente cedo na sua evolução. Tem também características bem definidas no olfativo, sendo geralmente bem aromática, com notas de rosas, ervas, especiarias, fumo, violetas e até piche. No paladar, os vinhos geralmente mostram acidez elevada e taninos bem presentes, mas elegantes.

No Piemonte a forma na qual uma parte dos produtores envelhece os vinhos de Nebbiolo expande ainda mais o seu horizonte de guarda, que pode superar facilmente 50 anos. Barolos feitos de maneira mais tradicional (em grandes botti de carvalho da Eslavônia) ficam entre os vinhos de maturação mais lenta do mundo.

Área plantada e nomes alternativos

Segundo dados da OIV, em 2015 eram apenas 6.429 hectares de Nebbiolo plantados ao redor do mundo, a grande maioria deles na Itália (6.047 ha ou 94%), seguido à distância por México, Austrália e Estados Unidos. A título de comparação, esta área plantada total corresponde a cerca de 5% do equivalente para a Pinot Noir.

Apesar da reduzida área plantada, a variedade também recebe outros nomes, boa parte deles no próprio Piemonte. São eles: Barolo, Barbesino, Brunenta, Chiavennasca, Lampia, Marchesana, Martesana, Melasca, Melaschetto, Melascone, Michet, Nebbieul Maschio, Nebbiolin, Nebbiolin Canavesano, Nebbiolin Comune, Nebbiolin Lungo, Nebbiolin Nero, Nebbiolo d’ Asti, Nebbiolo di Barbaresco, Nebbiolo di Barolo, Nebbiolo di Beltram, Nebbiolo di Bricherasio, Nebbiolo di Carema, Nebbiolo di Ivrea, Nebbiolo di Lorenzi, Nebbiolo di Masio, Nebbiolo di Moncrivello, Nebbiolo di Monsordo, Nebbiolo di Nizza, Nebbiolo di Nizza della Paglia, Nebbiolo di Piemonte, Nebbiolo di Sciolze, Nebbiolo di Stroppo, Nebbiolo Femmina, Nebbiolo Michet, Nebbiolo Occellino, Nebbiolo Pignolato, Nebbiolo Sinistra Tanaro, Nebieu, Nebieul, Nebieul Fumela, Nebiolo, Nibieul Burghin, Nibio, Nibiol, Nubiola, Pantiner,Picotender, Picotendre, Picotener, Picoultener, Picoutendro Maschio, Pioultener, Poctener, Prugnet, Pruine, Prunent, Prunenta, Pugnet, Rosetta, Spana Grossa e Spanna.

Fontes: Foundation Plants Services Grapes, UC Davis; Distribution of the World´s Grapevine Varieties, OIV; Whole-genome sequencing and SNV genotyping of ‘Nebbiolo’ (Vitis vinifera L.) clones, Gambino et al (2017); Jancis RobinsonRegistro Nazionale delle Varietà di Vite

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *