Last Updated on 20 de maio de 2021 by Wine Fun
Um dos rituais mais comuns ao consumir vinhos em restaurantes é aquele no qual o sommelier ou garçom, após abrir a garrafa, oferece a rolha para o cliente que pediu o vinho. Não são poucas as pessoas que têm dúvidas em relação ao que isso significa. O que fazer nesta hora? Existe algo que a rolha pode dizer sobre o vinho que foi pedido?
A resposta é simples: a rolha pode ter muito a dizer sobre o vinho. Porém, não é a única variável que devemos levar em consideração. Além de analisar a rolha, o cliente deve focar também no vinho, fazendo uma rápida avaliação visual, olfativa e gustativa do vinho, algo que vamos discutir em outro artigo. Vamos focar aqui nas informações que a rolha pode trazer.
É o vinho que você pediu?
A primeira coisa que a rolha tem a dizer é em relação à origem do vinho. Em tempo de tanta falsificação, checar se rolha realmente corresponde ao vinho que você pediu é fundamental. Aliás, é obrigatório que o sommelier ou garçom abra a garrafa na sua frente, para você ter certeza que, dentro da garrafa, está efetivamente o vinho que você pediu.
As rolhas, em geral, contêm informações sobre o vinho em questão, como nome de produtor e safra. Analisar se estas informações coincidem com as que estão impressas no rótulo é importante, principalmente se você está fazendo sua refeição em um restaurante pela primeira vez. Pode parecer um detalhe, mas infelizmente há casos de profissionais de salão que trocaram o vinho dentro da garrafa por outro mais barato, lesando o cliente.
Condição da rolha
A rolha traz também uma segunda mensagem, e isso se refere ao seu estado de conservação. O objetivo principal da rolha é evitar que o vinho tenha um contato excessivo com o meio fora da garrafa. Vale lembrar que a rolha permite uma leve entrada de oxigênio, que ajuda na evolução do vinho e evita que aromas redutivos se desenvolvam dentro da garrafa.
Porém, isso deve ser muito sutil, sem que o líquido entre em contato diretamente com o meio exterior. Portanto, o ideal é que na parte superior da rolha não existam manchas de vinho, que indicariam que ela não fez a sua tarefa de evitar o contato direto. É comum encontrar pequenas manchas na parte inferior das rolhas (a que fica virada para dentro da garrafa), mas se perceber que a parte de cima está manchada, evite o vinho. O mesmo ocorre se notar que a rolha está frouxa.
Qualidade do vinho
Existe uma lenda de que os melhores vinhos sempre vêm acompanhados de longas rolhas de cortiça, e todos os que não tiverem estas rolhas são vinhos inferiores. Esta afirmação é parcialmente incorreta. Em geral, vinhos de alta gama (sobretudo aqueles elaborados para guarda de muitos anos) trazem rolhas de qualidade.
Por outro lado, também existem vinhos de alto padrão que trazem rolhas que aparentam ser mais simples. Ou, em muitos casos, estes vinhos sequer são tampados com rolhas, optando por fechamentos como tampas de rosca. Deste modo, acreditar que a rolha em si tem muito a dizer sobre a qualidade do vinho pode ser enganoso. Obviamente, é difícil encontrar vinhos de alta qualidade com rolhas muito simples. Porém, algumas das mais novas gerações de rolhas sintéticas ou compensadas podem enganar quem não sabe o quanto o mercado de fechamento de vinhos evoluiu nos últimos anos.
Contaminação e rolha
Se você deve usar os olhos e o seu tato para checar a qualidade da rolha, também o seu olfativo pode entrar em ação. Existe uma tradição de o cliente cheirar a rolha, para verificar se o vinho tem algum problema, sobretudo para saber se o vinho está bouchonée. Por vinho bouchonée entendemos aqueles que foram contaminados por microrganismos, na maior parte das vezes por causa de uma contaminação existente na própria rolha.
Um vinho bouchonée se caracteriza por aromas mofados, descritos por alguns como lembrando papelão molhado, pano de chão usado ou mesmo aromas de gaveta úmida. Como esta contaminação se deve muitas vezes à rolha, criou-se a tradição de cheirá-la logo após abrir o vinho, para avaliar se esta contaminação está presente.
A eficácia desta prática, porém, está longe de ser consenso. Há quem garanta que é mais fácil detectar a contaminação na própria rolha, sobretudo na parte interna, que ficou em contato com o vinho. Por outro lado, há quem acredite que as rolhas têm aromas próprios e com uma intensidade que podem desagradar e confundir o cliente, mesmo na ausência de contaminação. Além disso, a contaminação pode não ter sido causada pela rolha, portanto seria mais facilmente detectada no próprio vinho.
Como agir
Levando estas duas visões opostas em conta, vale a pena adotar uma postura mais ponderada. Você pode cheirar a rolha e notar se algum aroma estranho está presente. No entanto, mais importante que isso é usar o seu olfativo para analisar o vinho na taça. Os aromas que caracterizam os vinhos bouchonée são intensos e aparecem rapidamente.
Em restaurantes que contam com um serviço de sommelier, dificilmente o profissional deixará passar esta contaminação. Porém, são muitos os restaurantes que não contam com sommelier, de forma que você deve prestar mais atenção nas informações que a rolha pode trazer. É importante destacar que qualquer vinho bouchonée deve ser imediatamente devolvido e uma nova garrafa trazida como reposição.
Deste modo, saber analisar a rolha de forma mais detalhada pode te ajudar na hora de apreciar um vinho no restaurante. Ela é sua aliada, use sua visão, seu tato, seu olfativo e, também, seu gustativo (neste caso não na rolha, obviamente) para saber se o vinho que você escolheu está nas condições ideais de consumo.
Imagem: Rudy and Peter Skitterians via Pixabay
Sou principiante no mundo do vinho, mas gostaria de receber informações com maior frequência.
Achei muito didático, claro e abrangente as informações aqui veiculadas.
Obrigado pela atenção
Odilamar
Obrigado Odilamar, estamos organizando o site para dar mais atenção também aos conteúdos mais educacionais.