Vinhos e rolhas têm uma relação muito próxima. Apesar do crescimento de fechamentos alternativos, como tampas de rosca, rolhas sintéticas e rolhas tecnológicas, as rolhas naturais de cortiça ainda representam o fechamento mais popular. De fato, cerca de 65% das garrafas de vinho ao redor do mundo usam rolhas de cortiça. E esta proporção sobe ainda mais quando o foco passa para vinhos de maior preço.
Quando falamos de vinho, três países dominam a produção. Itália, França e Espanha responderam, em 2024, por cerca de 48% do vinho produzido ao redor do mundo. Porém, quando o assunto é rolhas, um país domina o comércio internacional, com mais de três quartos do total comercializado em 2023. E este país é Portugal.
Quase monopólio
Com exportações de quase US$ 500 milhões em 2023, Portugal foi responsável por 78% das exportações globais de rolhas naturais. Em um distante segundo lugar ficou a Espanha, com 9% do mercado, seguida por França, Itália e Estados Unidos. E mesmo em Portugal, um nome domina: se no mundo 13 bilhões de garrafas tinham rolhas naturais em 2023, a Corticeira Amorim, sediada em Mozelos (não muito distante do Porto) vendeu 6,1 bilhões.

Aliás, é o norte de Portugal que domina a produção de cortiça, e, consequentemente de rolhas naturais. Em 2016, as empresas da parte norte do país ibérico respondiam por quase 84% do número de empresas do setor, muito à frente do restante de Portugal. Este domínio português, aliás, deve crescer ainda nos próximos anos. Para isso, pesa a decisão da Amorim em aumentar a densidade de sobreiros por hectares e investir em tecnologias que permitam extração mais rápida da cortiça.
Fontes: American Association of Wine Economists; Bloomberg; Sector da Cortiça em Portugal1 – GEE