Screw Cap: uma solução para vinhos brancos, rosés ou tintos jovens? Ou mais?

Last Updated on 7 de abril de 2021 by Wine Fun

O ser humano prima pela criatividade, sempre buscando a melhoria da qualidade de seus produtos, a redução de custos, inovações tecnológicas, etc, etc. Por outro lado, tende a ser extremamente crítico na defesa de suas crenças, especialmente em tempos marcados pela diversidade, como ocorre nos dias de hoje.

Um bom exemplo desta tendência são as infindáveis discussões sobre a melhor forma de vedação das garrafas de vinho. Hoje em dia utiliza-se a tradicional rolha de cortiça, que pode ser maciça, ou aglomerada, e mais recentemente até mesmo aglomerada com fundo maciço, a rolha sintética, a tampa de rosca e a tampa de vidro.

Tampas de rolha e sintéticas

A vantagem da tampa de rolha é que ela permite ao vinho respirar, que ajuda a aumentar complexidade olfativa do vinho, assim como de equilibrar o tripé acidez, taninos e álcool, com o passar do tempo.

Por outro lado, especialmente as rolhas maciças têm como desvantagem o preço alto e a possibilidade de contágio com o TCA (tricloroanisol), mesmo que percentualmente a incidência seja cada vez menor. No caso das rolhas sintéticas, tudo faz crer que, mesmo que tenham a vantagem de serem baratas, não são muito seguras na vedação, sendo atualmente só usadas em vinhos de entrada ou de baixo valor.

Tampas de rosca

No caso da vedação por tampas de rosca (screw caps), elas possuem muitas vantagens, como o custo, o fato de serem recicláveis, não terem o risco de contaminação por TCA, além de serem de mais fácil manuseio. São tampas metálicas (alumínio ou estanho) revestidas por forro de plástico inerte, que evita a penetração de oxigênio. Sua utilização iniciou por volta de 40 anos atrás, com grande utilização em países como Austrália e Nova Zelândia.

São usadas especialmente para vinhos brancos e tintos jovens. Mas pouco a pouco começaram a ganhar um maior espaço também para vinhos de guarda com o surgimento de novas tecnologias. Um exemplo é a tampa de rosca permeável, que possui camadas de forros distintos, permitindo a nano-oxigenação do vinho.

Vantagens, desvantagens e alternativas

A única desvantagem apontada pelos especialistas nas tampas de rosca tradicionais é de que os vinhos que utilizam esta vedação costumam apresentar sinais de redução, como aromas de fósforo queimado, borracha e outros. Mas eles desaparecem rapidamente, se passarem um tempinho em decanter, ou na taça. Por outro lado, pelo não contato com oxigênio, envelhecem mais lentamente, mantendo o frescor do vinho.

Para encerrar, temos as tampas de vidro, que basicamente selam as garrafas tão bem quanto as screw cap mas tem a desvantagem dos preços serem mais altos.

Surpreenda-se!

Os conhecedores e consumidores mais críticos ainda torcem o nariz para os screw caps para vinhos de guarda, preferindo as rolhas de cortiça, que trazem todo charme e a sofisticação do processo de abertura das garrafas e a correta evolução do vinho. Admito que também tenho muito prazer em utilizar este ritual.

Mas apenas peço que não fechem os olhos e radicalizem ao analisar novas alternativas, leiam e se informem um pouco mais sobre os novos processos, tenho certeza que vocês irão se surpreender como as coisas evoluíram, assim como eu me surpreendi. Saúde e bons vinhos para vocês, seja lá qual for sua vedação.

Ex-diretor da SBAV (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho) por dois mandatos, onde também ministrava aulas sobre técnicas de degustação. Editor de vinhos da revista Go Where por 10 anos, publisher da revista Free Time por 3 anos. Já foi jurado de concursos internacionais como CatadorConcours Mondial de Bruxelles. Colaborador e degustador de diversas revistas de vinho, como Vinho Magazine, Vinho & Cia e outras. Editor do blog Tommasi no Vinho.

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Foto: Walter Tommasi, arquivo pessoal

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