Angelo Gaja é um dos grandes nomes do vinho italiano e, gradualmente, expandiu sua produção e atividades para além de seu vilarejo de origem, Barbaresco. Um passo natural foi estabelecer presença na região vizinha de Barolo. Para tal, um passo importante foi dado em 1988, com a aquisição de uma área de vinhedos em Serralunga d’Alba, que deu origem ao seu Barolo Sperss.
A mente inquieta de Gaja, porém, levou-o a desafiar as regras locais. A partir da safra de 1996, passou a engarrafar o Sperss como Langhe Nebbiolo, pois optou por incluir cerca de 5% a 6% de Barbera no vinho, algo não permitido pelas regras da denominação de origem. Os motivos? Em primeiro lugar, Gaja apostou na complementaridade de ter Nebbiolo e Barbera juntas, pois a segunda traz ao corte taninos mais macios e mais cor, além de aromas distintos.
A principal razão, porém, foi retornar à tradição vigente até a primeira metade da década de 1960. Até a criação, em 1966, das denominações de origem de Barolo e Barbaresco, era comum ter vinhos não 100% monovarietais. Por conta disso, por mais de 15 anos o Sperss não fez parte da Barolo DOCG. Porém, com os filhos tomando gradualmente o controle da vinícola, a decisão foi de recolocar o vinho na denominação de origem Barolo a partir da safra de 2013.
Degustando
Como avaliar este vinho que hoje não existe mais, dado que as videiras de Barbera foram extirpadas em 2013 e substituídas por Nebbiolo? A conclusão clara é que, mesmo uma pequena proporção de Barbera confere ao vinho características distintas de um Barolo, tanto no visual quanto no olfativo e no palato. Visualmente, mostrou uma concentração bem mais profunda do que um Barolo tradicional, com um nariz também diverso. Destaque para os aromas de frutas vermelhas e negras mais maduras, chocolate e café, com notas de alcaçuz e chá preto.
O menor impacto foi no palato, até por conta do perfil de alta acidez de ambas as variedades. Este corte mostrou acidez elevada, corpo médio e taninos integrados; neste último caso, possivelmente tanto em função dos mais de 20 anos de garrafa quanto pelo perfil pouco tânico da Barbera. No conjunto, combinou frescor com profundidade, resultando em um vinho untuoso, complexo e longo, com notas de chá preto, frutas maduras e tabaco dominando o palato. Os vinhos de Angelo Gaja chegam ao Brasil pela Mistral e uma safra mais recente desta cuvée tinha preço na faixa de R$ 7.700 no site da importadora em janeiro de 2026.
| Nome do Vinho | Sperss |
| Safra | 2001 |
| Produtor | Gaja |
| Enólogo | Guido Rivella |
| Uvas | Nebbiolo e Barbera |
| Solo | Argilo-calcário |
| Graduação Alcoólica | 14% |
| Sede da Vinícola | Barbaresco (Piemonte) |
| Denominação | Langhe Nebbiolo |
| País | Itália |
| Agricultura | Orgânica não certificada |
| Vinificação | Convencional |
| Importador no Brasil | Mistral |