Taça de vinho de cristal ou de vidro: você sabe a diferença?

Escolher um bom vinho não é tudo. Diversos fatores também afetam a nossa experiência ao aproveitar um vinho de qualidade, e um deles é entender melhor qual taça estamos usando. E, antes mesmo de tentar definir qual o melhor formato, é fundamental entender se estamos falando de uma taça de vidro ou de cristal.

Mas você sabe qual a diferença entre as duas? É verdade que taças de cristal são melhores? E em termos de custo ou durabilidade? Para esclarecer estas e outras dúvidas, vale a pena gastar uns minutinhos e saber mais sobre o assunto.

A diferença

Vidro é um nome genérico, enquanto cristal, no fundo, é uma subcategoria de vidro. Podemos dizer isso porque o cristal é fabricado da mesma forma que o vidro, porém com materiais diferentes. Deste modo, todo cristal é vidro, mas nem todo vidro é cristal. E os materiais que fazem os dois diferentes são os minerais, que, no caso dos cristais, podem corresponder de 2% a 30% da composição da taça.

Aliás, cristal não é um nome muito adequado, uma vez que existem cristais na natureza. Porém, sua estrutura molecular é completamente diferente daquela do vidro, tenha ele minerais ou não na sua composição. Por praticidade e tradição, todavia, o nome pegou (vem dos italiano cristallo, que era usado para descrever as imitações dos trabalhos de Murano, em Veneza) e acabou sendo usado de forma praticamente universal.

Entendendo os minerais

Estes minerais têm um papel muito importante: eles fortalecem o material, permitindo que as taças de cristal sejam muito mais finas, sem que isso aumente os riscos do material se romper. Além disso, o vidro com minerais se torna mais transparente, o que esteticamente acabou despertando interesse dos consumidores.

Por muito tempo o principal mineral usado na fabricação dos cristais foi o chumbo. Foi este material que o inglês George Ravenscroft usou no final do século XVII para criar o cristal em escala industrial, e isso seguiu por vários séculos. Nas últimas décadas, porém, a constatação de que o chumbo pode ter efeitos negativos sobre a saúde mudou tudo. Atualmente, uma parte substancial dos cristais não mais contém chumbo, substituído por outros minerais, como zinco ou titânio, por exemplo.

Sabendo diferenciar

Duas das principais diferenças entre vidro e cristal já foram ressaltadas: resistência e transparência. Uma terceira também, é fácil de entender: custo. Você já deve saber que o preço dos cristais é mais alto, pois os minerais usados são mais caros que as matérias-primas usadas para a fabricação do vidro.

Mas como distinguir uma taça de vidro de uma de cristal? As diferenças são várias, começando pela espessura. Como o cristal é mais resistente, as taças podem ser bem mais finas. Duas partes da taça evidenciam bem isso: a haste e as bordas, se elas forem bem finas, você pode ter certeza que tem uma taça de cristal nas mãos.

Como a adição de minerais faz o cristal mais maleável, as taças de vidro costumam mostrar mais ângulos retos que as de cristal, que podem ser mais arredondadas e elegantes. Outro fator é o peso: se você tiver duas taças exatamente do mesmo tamanho e espessura, a de cristal será mais pesada, por conta, novamente, dos minerais.

A questão do som

Uma outra técnica muito usada para distinguir é o som que a taça emite quando você, por exemplo, bate nela com sua unha. Se o som for curto, possivelmente estamos falando de uma taça de vidro, caso seja mais longo e musical, é de cristal.

Porém, quase toda exceção tem uma regra. Um dos principais responsáveis pelo som mais musical das taças de cristal é o chumbo. Em geral, quanto maior a concentração de chumbo, mais longo é o som. Assim, os novos cristais que não incluem chumbo acabam mostrando um som intermediário, entre o da taça de vidro e aquele do cristal com chumbo.

Praticidade

Um outro lado tem que ser levado em conta: a praticidade. A inclusão de chumbo torna a taça mais porosa, de forma que ela absorve aromas. Isso acaba fazendo que não seja adequado o uso de máquina de lavar, algo perfeitamente normal em taças de vidro.

Já com as taças de cristal sem chumbo, isso não acontece. Assim, aqueles com sangue frio suficiente para coloca-las na máquina de lavar, não há problemas, ao menos em termos de absorção de aromas. Como nem todos tem este sangue frio, a sugestão é sempre lavar as taças de cristal manualmente, de preferência sem usar muito detergente.  

Fontes: Recognition Source, WineFolly, Zalto Glass

Imagem: PixelAnarchy via Pixabay

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