Um pequeno painel de Barbera D’Alba com mais de cinco anos

O fato de a Nebbiolo ser a uva de maior prestígio no Piemonte não surpreende. É, de fato, umas mais fascinantes uvas tintas do mundo. Portanto, não é nenhum demérito que a Barbera assuma uma posição de menor protagonismo na comparação. Cultivada em boa parte da Itália, atinge suas melhores expressões no Piemonte e, por conta de sua alta acidez, gera vinhos extremamente gastronômicos, mostrando ótimo poder de evolução.

Foi um prazer participar de um painel com seis exemplares com mais de cinco anos desta variedade, com foco nos vinhos da denominação de origem Barbera d’Alba. Na minha avaliação após degustação às cegas, três patamares relativamente distintos, com dois vinhos em cada nível.    

Barbera d’Alba Ferrione 2011, Diego Conterno 14%

Um dos destaques do painel e uma excelente e típica expressão desta variedade, apesar das inconsistências da safra 2011. Coloração granada média a alta, com olfativo intenso e perfumado. Destaque para os aromas florais (lavanda) e de frutas vermelhas e negras, com toque de tabaco e leve nota de erva verde. No palato, pareceu muito mais jovem que sua safra, com frescor e elegância de sobra. Alta acidez, taninos macios e corpo médio, com textura sedosa. Uma safra mais nova está disponível na Cellar a R$ 233.

Barbera d’Alba 2019, Fratelli Seghesio 14%

Um Barbera mais simples e rústico, sem grandes atrativos. Coloração rubi de alta concentração, com olfativo trazendo fruta negra (quase lembrando suco de uva) e especiarias. Alta acidez, corpo médio e menos estrutura. Na faixa de R$ 200 em lojas online.

Barbera d’Alba Superiore 2019, Rizieri 14,5%

Outro vinho que pecou pela simplicidade, mesmo sendo de uma boa safra e da categoria Barbera Superiore. Abriu com redução e mostrou um olfativo com notas de frutas negras, algo foxado, especiaria e toque floral. Frutado e simples, com alta acidez, taninos suaves e corpo médio. Adega Alentejana, R$ 255.

Barbera d’Alba Vigna Scarrone 2015, Vietti 15%

Um dos três Barberas de vinhedos únicos elaborado pela Vietti, que tem excelente reputação nessa variedade. Se algum vinho deste painel lembrou um Barbera Superiore, foi este. Muito mais denso e concentrado, com um core de frutas exuberante, porém sem perder a alta acidez. Delicioso e envolvente, com corpo médio a alto, bastante extrato e taninos finos. Também no olfativo, se mostrou complexo, com fruta negra madura, alcaçuz, terra queimada e notas florais e de erva verde. Com uvas de Castiglione Faletto, uma excelente representação da safra 2015, quando fruta madura e estrutura superaram frescor e tensão. Innovini, com preço na faixa de R$ 680 em lojas online.

Barbera d’Alba 2017, Pio Cesare 14,5%

Pio Cesare elabora duas cuvées de Barbera, uma em estilo Superiore e esta, mais básica. Um vinho de boa tipicidade, que, todavia, evidenciou muito bem o calor extremo e a seca da safra 2017. Coloração rubi com halo de evolução e alta concentração, com nariz marcado por notas de cacau, fruta negra, especiarias e alcaçuz. No palato, alta acidez, taninos macios, corpo médio a alto e boa profundidade, um Barbera equilibrado, intenso e frutado, porém com álcool mais aparente. Decanter, R$ 394.

Barbera d’Alba Bricco dei Merli 2010, Elvio Cogno 14%

Uvas do vilarejo de Novello, onde Elvio Cogno se destaca entre os grandes nomes. Além disso, 2010 foi uma safra clássica, com excelente maturação fenólica e vinhos de destacado poder de evolução. Levando em conta esta introdução, esperava mais deste Barbera, que se mostrou um pouco “cansado” e selvagem. Coloração granada de alta concentração, com olfativo mais terciário, trazendo toque de suor, notas terrosas, ervas secas e madeira, com menos fruta. Na boca, alta acidez, corpo médio e taninos mais presentes. Assim como o anterior, ficou no segundo grupo. Ravin, R$ 662.

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