Os impactos da COVID-19 foram bastante distintos entre os diversos setores da economia. De um lado, segmentos como hotelaria, restaurantes e eventos sofreram de forma dramática as consequências da pandemia. Porém, de outro lado, um setor em particular conseguiu mostrar um importante crescimento em 2020. Apesar da dependência, ao menos parcial, de dois segmentos mencionados acima, nunca se vendeu tanto vinho no Brasil como em 2020.
Segundo dados da Ideal Consulting, o volume comercializado de vinhos em 2020 no Brasil foi 31% superior aos números do ano anterior. Pela primeira vez na história, foi rompida a marca de 500 milhões de garrafas vendidas no Brasil, com a soma das vendas de produtores brasileiros com as importações de vinhos e espumantes fechando o ano a 501,1 milhões, contra 383,9 milhões em 2019.
Maior consumo per capita
Por conta deste forte aumento nas vendas, impulsionado sobretudo por compras online e em supermercados, o consumo per capita do brasileiro bateu novo recorde. Considerando aqueles acima de 18 anos, o consumo per capita chegou a 2,78 litros por ano, um crescimento de 30,5% em relação aos 2,13 litros registrados em 2019.
E o número de consumidores também cresceu. Segundo dados da Wine Intelligence, entre 2019 a 2020, o mercado brasileiro ganhou 3 milhões de novos bebedores regulares de vinho, ou seja, aqueles que dizem beber vinho pelo menos uma vez por mês.
Vale lembrar, porém, que o consumo brasileiro per capita ainda segue extremamente baixo. Os últimos dados agregados disponibilizados pela OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho), deixam isso claro. Em 2017 os portugueses acima de 15 anos (que é o critério usado pela OIV) consumiram o equivalente a 58,8 litros per capita, garantindo a liderança no ranking. Mesmo sem chegar perto dos níveis de Portugal, países não europeus, como Argentina (26,8), Chile (15,3) e Estados Unidos (12,3), também ficaram muito acima dos níveis brasileiros na época (2 litros per capita).
Mercado peculiar
Apesar do forte crescimento, porém, algumas características do mercado brasileiro mudaram pouco. Com um crescimento de 32% em 2020, o volume de vinhos de mesa (elaborados com uvas híbridas ou americanas) ainda corresponde a cerca de 63% do total de vinhos comercializados no Brasil. Os vinhos finos nacionais, ou seja, produzidos a partir das espécies de Vitis vinifera, correspondem a apenas 6% do total.
O restante corresponde aos vinhos importados, que, refletindo a forte queda do real frente às principais moedas internacionais, cresceram menos. O volume de vinhos e espumantes importados aumentou 26,5% em 2020, o que implica em uma perda de participação frente aos vinhos nacionais. Em termos de valor, as importações brasileiras de vinho cresceram 13,6% em 2020, passando de US$ 344,5 milhões para US$ 401,4 milhões.
Quem ganhou e quem perdeu
Considerando as exportações, o maior crescimento foi no segmento de vinhos tranquilos, com um volume 28,6% maior em 2020. Por outro lado, assim como ocorreu na maior parte do mundo, as importações de Champagne caíram, uma retração de 36,2% frente a 2019. Também outros espumantes registraram a mesma tendência, com queda de 20,1% nos volumes importados.
O Chile seguiu sendo a origem de vinhos mais consumida pelos brasileiros, correspondendo a 49,4% do volume importado, ganhando participação de quase 3 pontos percentuais em relação a 2019. A seguir, também considerando os dados da Ideal Consulting, vieram Portugal (16%), Argentina (15,1%), Itália (7,1%) e Espanha (4,9%).
Fontes: Ideal Consulting; Wine Intelligence