Vinho francês: forte queda nas exportações evidencia o difícil ano de 2020

Um ano difícil. Esta talvez seja a melhor descrição de 2020 para o setor vitivinícola francês. E os números das exportações francesas de vinho deixam isso muito claro. No ano passado, o valor das vendas de vinhos caiu 11,3% em relação a 2019, para € 8,2 bilhões. Além da queda na demanda que refletiu o impacto da COVID-19 (fechamento de bares e restaurantes e queda do fluxo turístico), também foi sentido o efeito das tarifas adotadas nos Estados Unidos.

A maior queda ocorreu nas exportações de Champagne (que corresponderam a cerca de 29% das vendas de vinhos franceses), que caíram 20,5% em 2020, para € 2,5 bilhões. No caso deste segmento, pesou mais o impacto da pandemia, até por conta de menos celebrações.

Em termos de volumes exportados, a queda foi mais branda, indicando que os mercados que importam vinhos franceses optaram por vinhos mais baratos. Em termos de volume, a queda total foi de 5,1%, ainda com destaque, porém, para o segmento de Champagne, que viu seu volume exportado diminuir 17% em 2020.

Bebidas alcóolicas como um todo

A queda nas exportações de vinho, porém, não foi a pior entre os vários segmentos de bebidas alcóolicas francesas, representados pela FEVS (Fédération de Exportateurs de Vins & Spiritueux de France). À exceção do segmento de vermouths, todos os outros mostraram quedas em suas exportações. O destaque negativo ficou com as vendas externas de Cognac, cujo valor ficou 21,4% abaixo do registrado em 2019.

Considerando todas as bebidas alcóolicas, a queda no valor exportado foi de 13,9%, fechando o ano passado com vendas de € 12,1 bilhões. Somente considerando o mercado norte-americano, a perda  foi de 18%, seguido pela China, que em 2020 importou um valor total 15,2% menor do que no ano anterior.

Vale lembrar que os setores representados pela FEVS correspondem ao segundo maior item na pauta de exportações francesas, somente atrás do setor aeroespacial. Curiosamente, este é o setor onde atua a Airbus, foco da disputa comercial que levou à taxação extra de vinhos e outras bebidas francesas nos Estados Unidos.

Perspectivas

A expectativa, porém, é que o pior já tenha passado. Para o presidente da FEVS, César Giron “”Neste ambiente extremamente difícil, os exportadores franceses de vinho e destilados encontraram maneiras de preservar suas posições e abrir caminho para o futuro e para a recuperação econômica que todos esperamos para 2021″.

Ele completou afirmando que “Em alguns países, já é possível ver uma pequena melhora, especialmente no último trimestre de 2020. No entanto, ainda precisamos controlar a situação sanitária para garantir uma recuperação global”. O dirigente, porém, cobra da Comissão Europeia uma solução diplomática para a guerra comercial com os Estados Unidos. A esperança é de uma relação mais próxima, sobretudo com Joe Biden, que tomou posse no último mês de janeiro.

Fonte: Fédération de Exportateurs de Vins & Spiritueux de France; Reuters; Vitisphere

Imagem: Pexels via Pixabay

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