Last Updated on 15 de outubro de 2020 by Wine Fun
Uma das áreas mais cinzentas do mundo do vinho é a definição do que são vinhos naturais. Não existe um critério único e a possibilidade de um consenso parece ainda distante. Iniciativas como a criação da denominação Vin Méthode Nature na França foram bem recebidas, mas mesmo para este conceito ainda existem dúvidas e adesão bastante limitada.
Uma declaração da Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DG Agri) da União Europeia parece resumir bem a posição das autoridades em Bruxelas sobre o assunto. “O rótulo ‘vinho natural’ pode sugerir a ideia de um vinho de maior qualidade. Há o risco de que o uso do termo “natural” leve o consumidor ao erro.”
Repercussões
Esta posição parece ter apoio de diversos segmentos. Para Paolo Castelletti, secretário-geral da Unione Italiana Vini, órgão que representa mais de 150 mil viticultores italianos, a mensagem é clara. “O adjetivo usado pela DG Agri – ‘enganoso’ – é muito claro, pois ler o termo ‘vinho natural’ poderia enganar seriamente o consumidor sobre as características intrínsecas do produto. Além disso, poderia levar a erros de julgamento sobre a naturalidade do vinho em geral. Portanto, é óbvio um risco de comunicação para todo o setor”.
Um ponto central é a própria falta de definição sobre o que é vinho natural, já que há necessidade de alcançar regras claras e harmonizadas. Este sentimento também é compartilhado pelo Secretário Geral da CEEV (órgão que representa 23 associações de produtores de vinho de 12 estados europeus), Ignacio Sanchez Recarte.
“O cerne do problema não é a proibição, mas a aplicação. Não vejo por que não é possível que a legislação europeia tenha regras concretas, incluindo um prazo adequado para a apresentação de vinhos naturais no interesse dos produtores e consumidores.”
Visão dos produtores independentes
Mesmo dentro de grupos de produtores de vinhos de baixa intervenção, parece não haver consenso sobre a melhor definição. Em entrevista ao site italiano WineNews, Matilde Poggi, à frente da Fivi (Federazione Italiana Vignaioli Indipendenti), não está muito convencida do benefício o uso da palavra “vinho natural” no rótulo.
“Nossa associação não tem uma posição unitária, mas dentro da Fivi há vinicultores que adotam práticas convencionais, orgânicas e naturais. Pessoalmente, acho que é uma distinção que você não precisa usar na etiqueta. Especialmente porque o movimento dos viticultores naturais nasceu precisamente para não se submeter a regras, regulamentos, normativas. Impor uma definição, em certo sentido, vai contra o tipo de liberdade sempre buscada. Além disso, é uma definição muito difícil de esclarecer e regular”, conclui Poggi.
Fontes: Unione Italiana Vini, WineNews
Imagem: Justin Aikin via Unsplash