Last Updated on 12 de junho de 2021 by Wine Fun
A Argentina tem vivido um momento de grande transformação nos últimos anos, ao menos quando o assunto é vinho. Se no passado nosso vizinho parecia focar mais em quantidade que qualidade, com a Malbec reinando quase absoluta, sobretudo em Mendoza, este quadro vem mudando.
Cada dia mais os produtores argentinos buscam inovações, quase sempre com o objetivo de melhor valorizar seu terroir. Novas variedades entraram no radar e regiões antes ignoradas foram valorizadas. Ao mesmo tempo, os métodos de vinificação parecem agora buscar minimizar o impacto da ação do enólogo, deixando que os vinhos exprimam melhor as condições de seus vinhedos. E estes movimentos, somados às condições naturais favoráveis, parecem ter dado resultado.
Safra 2019 histórica?
Em seu relatório descrevendo a safra 2019, o Master of Wine Tim Aktin não poupou elogios. Para o britânico, que visita a Argentina regularmente desde 1992 para apreciar seus vinhos, a safra 2019 trouxe, possivelmente, os melhores vinhos argentinos que ele já degustou. Pela primeira vez, inclusive, ele concedeu a um vinho argentino sua máxima pontuação (100 pontos). O vinho escolhido foi o Uní del Bonnesant, um monovarietal de Malbec produzido em Gualtallary, pela vinícola PerSe.
Em entrevista para o portal The Buyer, Atkin explicou sua posição. Para ele, “o crucial é que, para os padrões argentinos, foi uma safra fria, por isso produziu vinhos com finesse e equilíbrio. Algumas pessoas compararam com 2016, mas 2016 foi muito mais úmido, então havia mais pressão para colher mais cedo. Em 2019, as pessoas puderam fazer as coisas no tempo certo. A safra 2019 também é um pouco como 2013, a última grande safra na Argentina para mim, mas viticultura e vinificação são melhores hoje do que eram há oito anos. Então é uma combinação de fatores”.
Para Atkin, 2019 faz parte de um grupo de safras mais frias, que inclui 2010, 2013, 2014, 2015, 2016, 2019 e 2021. A última pode ser tão boa quanto 2019, mas é muito cedo para dizer. Até agora, 2019 se destaca para o Master of Wine, embora os fãs de vinhos mais encorpados classifiquem 2018 como excelente.
Mudanças na vinificação e aquecimento global
Atkin destacou em especial duas tendências: a mudança no estilo de vinificação na Argentina e os impactos do aquecimento global sobre os vinhedos do país. Em termos de vinificação e estilo de vinho, a maior mudança ficou com os vinhos brancos, que somaram 23 dentre os 110 vinhos que ele inclui em seu relatório de destaques. Isso foi possível por conta do desenvolvimento de vinhedos em maiores altitudes ou mais ao sul. Os melhores tintos também mudaram, refletindo uma tendência que está acontecendo em outras partes do mundo – menos madeira, menos potência, mais expressão de terroir, melhor equilíbrio.
Para ele, a Argentina está preparada para lidar com as mudanças climáticas, porque pode ir para vinhedos mais altos nos Andes, ou mais para o sul na Patagônia e mais ao leste em direção ao Atlântico. Por enquanto, também tem água de irrigação abundante dos Andes. Mas isso pode mudar, se o país tiver que lidar com uma série de invernos muito mais secos.
Vinhos recomendados
No seu relatório, Atkin destacou 10 vinhos, dos quais quatro brancos e seis tintos. São eles:
Brancos
Altar Uco Edad Media Blanco, Gualtallary, 2019
Alta Vista Atemporal Assemblage Blanc, Argentina, 2019
El Esteco Old Vines 1945 Torrontés, Calchaqui Valleys, 2019
Riccitelli Wines Viñedos de Montaña Chardonnay, Uco Valley, 2019
Tintos
Arca Yaco (Amar y Vivir) Cabernet Sauvignon, Quebrada de San Lucas, 2019
Bodega Huichaira Cielo Arriba, Jujuy, 2019
Estancia Uspallata Igneo, Uspallata, 2019
Domaine Nico Le Paradis Pinot Noir, Gualtallary, 2019
PerSe Uní del Bonnesant, Gualtallary, 2019
Staphyle Dragón de Vino, Potrerillos, 2019
Fonte: The Buyer
Imagen: sebastian del val via Pixabay