Last Updated on 6 de abril de 2021 by Wine Fun
Uma uva francesa, mas de alma sul-americana. Possivelmente originária da região de Cahors, a Malbec ganhou uma posição de destaque no mundo do vinho por conta do crescimento rápido das exportações argentinas de vinho nas últimas décadas. É, de longe, a principal variedade plantada no país sul-americano, com mais de 70% da produção mundial.
Esta uva chegou à Argentina no ano de 1852, graças a Michel A. Pouget, engenheiro agrônomo francês, fundador da Quinta Agronómica de Mendoza. Desde então, ganhou o país e o mundo. Já na França, seu histórico foi mais conturbado.
Chegou a ser uma das principais variedades plantadas no Bordeaux, mas uma geada em 1956 destruiu quase 75% de seus vinhedos, que foram replantados com outras variedades. Na Europa, hoje é mais presente na sua terra de origem, o sudoeste francês, onde é chamada de Côt.
Origem e parentesco
Nada como a ciência para colocar as coisas no lugar. Por muito tempo, pouco se sabia sobre a relação da Malbec com outras variedades, mas esta situação mudou em 1992. Foi quando cientistas descobriram que a Malbec é resultado do cruzamento natural entre duas uvas pouco conhecidas, a Prunelard e a Magdeleine Noir de Charentes.
Isso a faz uma espécie de meia-irmã da Merlot, já que esta variedade também tem a Magdeleine Noir de Charentes como ascendente, em um cruzamento com a Cabernet Franc. Em termos geográficos, as evidências indicam que a Malbec seja nativa do sudoeste da França, possivelmente na região de Cahors.
Em relação ao seu nome, há poucas referências comprovadas. A única referência histórica ao nome Malbec liga o nome ao sobrenome de um camponês húngaro, que teria ajudado a espalhar a variedade pela França.
Características
É uma uva de casca fina, cachos e frutos de tamanho médio, que demanda muita luz solar e calor para atingir a maturidade total. Ela prospera em solos bem irrigados e bem drenados, mas não tem resistência a secas e geadas, por conta de suas cascas finas.
Uma de suas características mais evidentes é a coloração púrpura-azulada de sua casca, motivo, aliás, porque era usada de forma mais extensiva nos cortes na região de Bordeaux. É uma variedade de colheita precoce, que mostra, em geral, graus de taninos, açúcares e álcool elevados.
Vinhos
A Malbec é uma variedade que pode produzir vinhos com uma grande variabilidade de aromas, dependendo do tipo de solo, número de horas de luz solar e, sobretudo, altitude. Apesar dos esforços em elaborar vinhos em maiores altitudes, o que confere importantes diferenciais, boa parte dos vinhos, sobretudos aqueles provenientes da Argentina, apresentam características comuns.
Entre eles, destaque para sua coloração intensa, tendendo ao púrpura-violáceo, e alta concentração, o que o faz um vinho fácil de ser identificado em uma degustação à cegas. Os vinhos, em geral, mostram presença intensa de frutas negras (sobretudo amoras, cerejas negras e ameixas) e notas de chocolate e couro. No gustativo, tendem a apresentar acidez média a baixa, taninos intensos, mas relativamente sedosos, e corpo médio a alto.
Área plantada
Segundo dados da OIV, a área plantada de Malbec ao redor do mundo, em 2015, era de 54.610 hectares. Apesar de originária da França, é na Argentina onde parece estar mais em casa. O país sul-americano corresponde a cerca de 73% da área plantada ao redor do mundo, com 40.144 hectares. Somente na região de Mendoza, há mais Malbec plantada do que no resto do mundo somado.
A França aparece um uma distante segunda colocação, com 6.816 hectares plantados, ou 12,5% do total mundial. Evidenciando a adaptabilidade desta variedade aos diversos terroirs do Novo Mundo, na sequência aparecem Chile (2.309 ha, ou 4,2%), Estados Unidos (1.641 ha, ou 3%) e Austrália (562 ha, 1%).
Nomes alternativos
Apesar de sua pequena área plantada na Europa, é por conta de uma longa história na região, sobretudo na França, que esta uva recebe uma grande variedade de outros nomes. O principal deles segue sendo Côt, usado de forma mais intensa em várias regiões francesas. Porém, mesmo na França há uma grande quantidade de nomes alternativos.
Os demais nomes, segundo o catálogo da Universidade da California – Davis, são: Agreste, Ausseres, Auxerrois, Auxerrois de Laquenexy, Auxerrois des Moines de Picpus, Auxerrois du Mans, Balouzat, Beran, Besparo, Blanc de Kienzheim, Bouyssalet Bouyssaledes, Cahors, Calarin, Cauli, Claverie noire, Costa Rosa, Costa Rossa, Costo roujo, Côt de Bordeaux, Côt de Pays, Côt de Touraine, Côt rouge, Côt à Queue rouge, Côt à Queue verte, Cote rouge, Cotes rouges, Doux noir, Estrangey, Etranger, Etrangey, Franc Moreau, Gourdaux, Gourdoux, Grelot de Tours, Grifforin, Gros noir, Gros Pied rouge, Grosse Merille, Guillan, Hourcat, Jacobain, Jacobin, Luckens, Lutkens, Magret, Malbech, Malbeck, Malbek, Margrot, Medoc noir, Monrame, Mouranne, Moustere, Navarien, Navarin, Negre de Prechac, Negre Doux, Negrera, Noir de Chartres, Noir de Pressac, Noir Doux, Nyar de Presak, Oeil de Perdrix, Parde, Perigord, Pied de Perdrix, Pied Doux, Pied noir, Pied rouge, Pied Rouget, Piperdy, Plant d’Arles, Plant de Meraou, Plant de Roi, Plant du Roi, Prechat, Pressac, Prunieral, Quercy, Queue rouge, Quille de Coq, Quille de Coy, Raisin de Co, Romieu, Saint-Emilion, Soumansigne, Teinturier, Teinturin, Terranis, Tinturin, Vesparo e Vesparol.
Fontes: Foundation Plants Services Grapes, UC Davis; Distribution of the World´s Grapevine Varieties, OIV; Plant Grape; Decanter; Winifera; Jancis Robinson