Cabernet Sauvignon da California: nove vinhos

A Cabernet Sauvignon ocupa uma posição de destaque na vinicultura da California, tanto em termos de qualidade como em quantidade. Boa parte dos principais vinhos norte-americanos conta com esta uva francesa na sua elaboração, geralmente em posição preponderante. Além disso, é a uva com maior área plantada na California, com cerca de 30% dos vinhedos dedicados às variedades europeias.

De forma geral, os Cabernet Sauvignon da California mostram um estilo próprio. São vinhos intensos e encorpados, com taninos firmes e muita fruta. Para diversos produtores, os excessos de álcool, concentração e fruta sobremadura ficaram para trás, mas ainda existe quem resista a este perfil, bastante difundido entre os consumidores norte-americanos. Nada como provar alguns vinhos desta variedade e região para colocar estes fatores em perspectiva.  

Cabernet Sauvignon 2007, Tom Eddy 14,4%

A safra 2007 deu origem a vinhos potentes e intensos em Napa Valley, como no caso deste corte de 99% Cabernet Sauvignon e 1% Petit Verdot. Na vinificação, estágio de 28 meses em barricas de carvalho francês, das quais 70% novas. Um vinho de muita tipicidade, e, por conta do talento do produtor, um dos melhores vinhos da prova. Coloração rubi de alta concentração, com aromas intensos de frutas vermelhas e negras (amora em destaque), com notas de cedro e erva seca. Na boca, boa acidez, corpo médio a alto, taninos granulosos e finos, com fruta bem intensa e madeira presente. Muita tipicidade, porém, sem excessos.

Cabernet Sauvignon 2007, Mount Eden 13,5%

Outro vinho da safra 2007, porém com muito mais potência e corpo que o anterior, apesar de as uvas terem origem nas montanhas de Santa Cruz, um dos melhores terroirs do norte da California. Corte de 83% Cabernet Sauvignon, 14% Merlot, 1,5% Cabernet Franc e 1,5% Petit Verdot. Estágio de 22 meses em uma combinação de 50% barricas francesas e 50% americanas, das quais metade novas. Visual rubi violáceo de alta concentração, com nariz marcado por notas de madeira (baunilha, cedro e côco), com fruta negra madura, pimentão vermelho e erva seca. Intenso, potente e encorpado no palato, com madeira evidente e fruta bem intensa, com acidez correta. Pecou pelos excessos.

Alexander Valley Cabernet Sauvignon 2006, Silver Oak 13,5%

Situados na região de Sonoma, os vinhedos de Alexandre Valley geralmente dão origem a vinhos mais encorpados, claramente o caso aqui, mesmo em uma safra chuvosa com 2016. Corte de 81% Cabernet Sauvignon, 11% Merlot, 5% Cabernet Franc e 3% Petit Verdot, com quatro anos de estágio em barricas de carvalho americano, 50% das quais novas. Um vinho intenso e encorpado, com um olfativo bastante distinto dos demais. Coloração rubi de média a alta concentração, com nariz marcado por aromas de menta e eucalipto, fruta compotada (quase lembrando goiabada), baunilha e côco. A fruta dominou o palato, com média acidez, corpo médio a alto e taninos granulosos, onde a potência deixou a elegância e frescor para segundo plano.

Artemis Cabernet Sauvignon 2011, Stag’s Leap Cellar 14%

A safra de 2011 foi mais úmida e tardia, trazendo a este vinho uma personalidade menos exuberante, o que muitas vezes pode ser uma vantagem quando falamos de tintos da California. Corte de 86% Cabernet Sauvignon e 14% Merlot, com 16 meses em barricas de carvalho francês, das quais 35% novas. Coloração rubi de média a alta concentração, com um olfativo complexo e mais fresco. Destaque para os aromas de frutas vermelhas (cereja e amora) e pimentão vermelho, com notas de engaço, erva seca e baunilha. No palato, boa acidez, corpo médio a alto, taninos granulosos e finos e fruta presente, mas com alguma austeridade. Outro dos destaques do painel.

Howell Mountain Cabernet Sauvignon 2006, Robert Craig 14,8%

Corte de 84% Cabernet Sauvignon, 12% Merlot e 4% Cabernet Franc. Um vinho que não representou sua safra, bastante intenso, alcóolico e extraído, com um palato peculiar que combinou notas de frutas sobremaduras, rapadura e engaço. Visual rubi retinto, com frutas negras maduras, cassis, alcaçuz, tostado e pimentão vermelho. Encorpado na boca, com acidez média e taninos intensos e granulosos. Para quem aprecia vinhos mais potentes.

Cabernet Sauvignon Diamond Collection 2018, Francis Coppola 13,5%

Ao contrário dos anteriores, um vinho em uma faixa de preço mais acessível e safra mais recente. A combinação destes fatores resultou em um vinho mais leve e fresco, porém menos complexo e de menor estrutura. Corte de 78% Cabernet Sauvignon, 15% Petit Verdot e 7% Ségalin da região de Sonoma, com 12 meses em barricas francesas e americanas. Coloração rubi de média a alta concentração, com olfativo onde se destacaram notas de frutas vermelhas maduras, chá preto, baunilha e cedro. Com boa acidez, corpo médio e taninos leves e granulosos, um Cabernet Sauvignon sem excessos, mas sem grande brilho.

Cabernet Sauvignon 2010, Château Montelena 13,9%

A safra 2010 for relativamente fresca, até a chegada de uma onda de calor na segunda metade de agosto. Apesar disso, os vinhos mantiveram um perfil mais clássico. Corte de 99% Cabernet Sauvignon e 1% Cabernet Franc, com estágio de 22 meses em barricas francesas, das quais 29% novas. Para os padrões californianos, um vinho elegante e equilibrado, que ficou um patamar acima de boa parte do painel. Coloração rubi de alta concentração, com nariz bem típico, combinando frutas vermelhas e negras, cedro e um toque de especiarias. No gustativo, boa acidez, corpo médio e taninos granulosos e finos, com boa complexidade, fruta presente, notas de couro e longa persistência.

Cabernet Sauvignon Special Selection 2011, Caymus 15%

Um vinho peculiar e representante de um estilo que preza por muita concentração, teor alcóolico elevado e uso excessivo de madeira. Curiosamente, apesar de mais de uma década em garrafa, mostrou coloração rubi violácea de alta concentração, algo que chamou a atenção em face às acusações (sempre negadas pela vinícola) que há utilização de Mega Purple na vinificação. Olfativo intenso, com notas abundantes de frutas negras, alcaçuz, cedro, terra molhada, chocolate, cacau e café. Já no palato, pecou pela falta de equilíbrio e pela potência excessiva, com média acidez, taninos musculosos, fruta bem intensa (lembrando geleia) e madeira presente. Degustado às cegas, assim como todos os demais, foi o destaque negativo da degustação.

Cabernet Sauvignon 2018, Boogle 14,5%

Assim como o vinho de Francis Coppola, uma expressão mais simples da Cabernet Sauvignon, com uvas de vinhedos distribuídos em diversas partes da California. Neste caso, foram 12 meses de envelhecimento em barricas de carvalho americano. Um vinho básico e sem excessos, onde prevaleceram os aromas de frutas vermelhas e de madeira. Coloração rubi de média a alta concentração, com olfativo trazendo aromas de cereja e amoras, pimentão vermelho, côco e nota mentolada. Na boca, acidez correta, corpo médio a alto, taninos granulosos e finos, com algum frescor, mas sem muita profundidade. Um vinho básico, mas que não desagrada.

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