Após a suspensão temporária das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos sobre diversos produtos do Reino Unido, esta semana foi a vez da União Europeia e o governo norte-americano anunciarem uma trégua. Ficou decidido que, por quatro meses, diversos produtos de três países europeus (França, Alemanha e Espanha) não serão mais sujeitos a sobretaxa de 25% imposta a partir do final de 2019.
Esta decisão trouxe alívio ao mundo do vinho nos países citados, já que bebidas alcóolicas eram um dos principais alvos da sobretaxa. A imposição destas tarifas, realizada dentro da batalha comercial entre Airbus e Boeing, levou a uma forte queda nas importações norte-americanas de vinhos franceses, alemães e espanhóis.
Reações favoráveis, mas com cautela
“Que notícia fantástica”, foi a declaração de Ben Aneff, presidente da aliança comercial de vinhos dos EUA, que tem pressionado contra a taxa de importação de 25% desde sua introdução em outubro de 2019. “As tarifas sobre alimentos e vinhos da UE foram devastadoras, causando enormes danos a um grande número de restaurantes, varejistas, importadores e distribuidores”, completou.
A associação que representa os exportadores franceses de bebidas alcóolicas, a FEVS, também recebeu de forma positiva a notícia da suspensão. As tarifas, segundo a FEVS, causaram uma queda de € 400 milhões no valor dos embarques de vinho francês para os EUA em 2020. No entanto, o ministro do Comércio Exterior da França foi mais cauteloso. Franck Riester afirmou que “o acordo é um cessar-fogo, não um tratado de paz. Concretamente, isso significa que as sobretaxas de 25% podem ser restauradas após quatro meses, se Estados Unidos e União Europeia não conseguissem até lá acabar com a disputa”.
Impacto significativo
As sobretaxas afetaram de forma significativa o comércio de vinho dos três países europeus em 2020. As importações norte-americanas de vinho alemão caíram 30,5% frente a 2019, a maior queda entre todos os mercados com os quais os Estados Unidos compram vinhos. Já a queda na aquisição de vinhos franceses foi de 20%; e de 11,5% para vinhos espanhóis, fechando o grupo de três mercados com pior desempenho em 2020. Por conta das sobretaxas, a França perdeu a liderança no ranking de maior exportador de vinhos para os Estados Unidos, com a Itália assumindo esta posição.
As tarifas de 25% inicialmente tinham como alvo os vinhos franceses, alemães, espanhóis e ingleses com graduação alcoólica abaixo de 14%. Porém, em janeiro de 2021 as autoridades comerciais dos Estados Unidos expandiram a lista para incluir vinhos acima de 14% e também destilados à base de uva, como conhaque.
Fontes: Vitisphere, Decanter, Federvini
Imagem: Matthieu Joannon via Unsplash