Conheça mais sobre as uvas americanas, ainda muito usadas no Brasil

Last Updated on 6 de setembro de 2020 by Wine Fun

Quando falamos em uvas distintas, pensamos quase sempre em variedades como Pinot Noir, Chardonnay, Tempranillo, Nebbiolo e tantas outras. Porém, todas estas variedades fazem parte de uma mesma espécie, a Vitis vinifera. Embora seja a espécie mais usada na produção de vinhos ao redor do mundo, está longe de ser a única.

A Vitis vinifera pertence ao gênero Vitis, que agrega mais de 60 espécies. É originária da Europa e do oeste da Ásia e é apenas uma das duas espécies originárias do continente europeu. Na Ásia, são cerca de 30 espécies, mas é nas Américas que há mais incidência de espécies, com aproximadamente 35 espécies distintas.

Espécies americanas

Embora não sejam usadas em grande parte do mundo para a produção de vinhos (o Brasil é uma exceção neste sentido), as espécies americanas desempenham um papel importante. Por conta da filoxera, com seu devastador impacto sobre a Vitis vinifera, as espécies americanas acabaram aparecendo como solução, já que são usadas como porta-enxertos. Como a filoxera é originária das Américas, as espécies americanas têm resistência natural a este pulgão.

Na comparação com a Vitis vinifera, apresentam diversas desvantagens para a produção de vinhos. Em primeiro lugar, apresentam aromas bastante peculiares, chamados foxados, que fazem os vinhos terem baixa aceitação junto a um público mais especializado. Há também desvantagens em termos de produtividade e pelo fato de gerarem vinhos de baixo potencial alcoólico.

A ocorrência natural destas videiras vai desde o Canadá até a Venezuela, com maior concentração na costa leste da América do Norte. Por conta das desvantagens citadas acima, tem uso comercial mais intenso in natura ou na produção de sucos ou geléias. Dentre elas, a Vitis labrusca merece maior destaque, mas vamos focar também em outras espécies.

Vitis labrusca

A Vitis labrusca é a segunda espécie de Vitis mais plantada no mundo, somente atrás da Vitis vinifera. É autóctone da costa leste da América do Norte, em uma área que vai da Georgia ao sul do Canadá no sentido norte-sul, se estendendo até o rio Mississippi no oeste. Nos Estados Unidos, é conhecida como fox grape, ou uva da raposa, em uma tradução simples

É usada de forma mais ampla na produção de sucos, embora esporadicamente para a produção de vinhos. Seu maior impacto neste segmento é através das variedades híbridas, criadas a partir dela com a Vitis vinifera ou cruzamentos com outras espécies de uvas americanas. Alguns exemplos de híbridas são a Isabella (chamada Isabel no Brasil), Catawba, Delaware, Concord, Dutchess, Agawan, Diamond e Othelo. Já os cruzamentos mais conhecidos são Ives (Bordô por aqui), Clinton e Noah.

Apesar de ser nativa da América no Norte, não é 100% resistente à filoxera, ao menos como espécie pura. Deste modo, é menos utilizada como porta-enxerto. Diversas novas variedades de uvas híbridas de Vitis labrusca estão sendo desenvolvidas no Brasil, em projetos desenvolvidos pela Embrapa. Estas variedades estão em fase de difusão nas diferentes regiões vitícolas do país.

Outras espécies

As demais espécies são cultivadas em menor escala e são mais utilizadas para a produção de sucos, ou eventualmente de vinhos de variedades híbridas. A Vitis bourquina limita-se a poucas variedades e está restrita a pequenas zonas de cultivo. Mais até do que a Vitis labrusca, sua maior importância vem das variedades híbridas criadas a partir dela, como Jacquez, Herbemont e Cynthiana.

Já a Vitis rotundifolia é originária do sul dos Estados Unidos, em uma região que vai do Texas até a costa Atlântica. Ela se adaptou bem ao clima quente e úmido desta região. Nos Estados Unidos, esta uva é conhecida como muscadine e é usada para consumo in natura e elaboração de sucos e geleias.

A Vitis riparia tem uma ampla distribuição geográfica na América do Norte e é também usada primordialmente para a produção de sucos. É conhecida na América do Norte com river grape (uva do rio). Foi usada para o desenvolvimento de híbridas, como a Othelo, assim como cruzamentos, como Clinton. É uma das mais utilizadas (sobretudo a partir de cruzamentos) como porta-enxertos.

Por fim, a Vitis aestivalis é originária de uma ampla área no leste da América do Norte, desde o Canadá até a Flórida, chegando até Texas e Nebraska no sentido oeste. Nos Estados Unidos, é conhecida como summer grape, ou uva de verão. Além do uso para consumo in natura e produção de geléias, também foi usada para híbridas, como Dutchess e para o cruzamento com a Vitis labrusca, que gerou a varietal Ives.

Fontes: Natural Resources Conservation Centre USDA; New England Botany; Missouri Botanical Gardens; Embrapa

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