Last Updated on 25 de outubro de 2024 by Wine Fun
Chardonnay e Pinot Noir ocupam um espaço especial nos corações dos apreciadores de grandes vinhos. São as duas uvas símbolo da Borgonha e tem fascinado degustadores ao redor do planeta, dando origem a alguns dos grandes vinhos do mundo. E a relação entre elas não é somente geográfica.
Estudos científicos mostraram em 1999 que a Chardonnay é da família Noirien de uvas, e é, portanto, uma descendente direta da Pinot Noir e da Gouais Blanc, uma uva hoje pouco plantada. Desta forma, a Chardonnay, além de ”filha” da Pinot Noir, aparece também como “irmã” da Gamay, da Aligoté e da Melon de Bourgogne, entre outras.
Flexibilidade
Ser da mesma família, porém, não significa ter personalidades parecidas. Enquanto a Pinot Noir é vista como uma uva de difícil plantio e cultivo e que reflete muito o terroir, a Chardonnay, que também é comprovadamente originária da Borgonha, é quase o inverso.
É uma variedade sem grandes demandas de solo e clima, é bastante produtiva, amadurece rápido, embora sua floração precoce possa ser um fator de dificuldade em locais mais frios. Seus cachos são pequenos e alongados, com grãos soltos e espaçados, assumindo uma tonalidade dourada no amadurecimento.
Eles produzem suco muito doce (que muitas vezes explica um maior teor alcóolico) e bastante abundante. Com todos estes elementos, não surpreende o fato de ser uma das uvas mais plantadas no mundo, com uma distribuição geográfica muito ampla.
Características
Outras características da Chardonnay também contribuem para esta popularidade. É também uma variedade que reflete bem o estilo de vinificação do produtor, gerando vinhos de personalidades muito distintas. Algo que quem já bebeu um elegante Chardonnay da Borgonha e um alcóolico e super amadeirado exemplar de algum país do Novo Mundo pode dizer.
Embora em Chablis ou outras áreas frias a Chardonnay mostre vinhos com acidez elevada, a acidez natural na uva é na verdade moderadamente baixa. Seu corpo é médio, o que permite diversos estilos de vinificação. Além disso, é uma uva com intensidade aromática baixa (ao contrário, por exemplo, da Sauvignon Blanc), novamente mostrando muita flexibilidade, inclusive quanto ao uso de carvalho no amadurecimento.
Em poucas palavras: uma variedade muito produtiva e relativamente simples de plantar, muito adaptável tanto a diversos terroirs e condições climáticas e que permite múltiplos estilos de vinificação, de acordo com as preferências do produtor. Assim, esta uva cujo nome se originou na pequena vila de Chardonnay, na França (que significa o lugar dos cardos – thistle, em inglês) se tornou a mais conhecida e internacionalizada uva branca do mundo.
Vinhos
Por conta desta flexibilidade, é difícil definir as características dos vinhos feitos a partir da Chardonnay. Como mencionado anteriormente, podemos partir de vinhos de alta acidez, de toques cítricos e minerais, elegantes e de baixo teor alcoólico como no Chablis, para vinhos com aromas intensos de frutas tropicais, baunilha, amadeirados, baixa acidez e elevado teor alcóolico em locais quentes, passando pela elegância e requinte dos vinhos da Côte D’Or no caminho.
A Chardonnay é atualmente uma das uvas mais internacionalizadas do mundo, embora ainda mantenha uma importante parcela de sua área plantada na França. Ela se tornou tão popular que, a partir de 2002, começou a ser usada, sobretudo no Reino Unido, como nome para bebês do sexo feminino.
Área plantada e nomes alternativos
Segundo dados da OIV, em 2015 era a terceira variedade branca mais plantada em escala internacional, somente atrás da Sultanina e da Airén. Eram 212.213 hectares plantados ao redor do mundo, com grande destaque para França, com 50.623 hectares, ou 24% do total e Estados Unidos (41.912 ha, ou 20%). A seguir vinham Austrália (21.442 ha, 10%), Itália (20.0566 ha, 9%) e Chile (11.698 ha, 6%).
Com uma distribuição geográfica ampla, a Chardonnay mostra uma quantidade grande de outros nomes, que, segundo o catálogo da Universidade da California – Davis, são: Arboisier, Arnaison Blanc, Arnoison, Aubaine, Auvergnat Blanc, Auvernas Blanc, Auvernat Blanc, Auxerrois Blanc, Auxois Blanc, Bargeois Blanc, Beaunois, Blanc de Champagne, Breisgauer Sussling, Burgundi Feher, Chablis, Chardennet, Chatey Petit, Chaudenet, Claevner, Clevner Weiss, Epinette Blanche, Epinette de Champagne, Ericey Blanc, Feher Chardonnay, Feherburgundi, Feinburgunder, Gamay Blanc, Gelber Weissburgunder, Gentil Blanc, Grosse Bourgogne, Klawner, Klevanjka Biela, Lisant, Luisant, Luizannais, Luizant, Luzannois, Maconnais, Maurillon Blanc, Melon Blanc, Melon d’Arbois, Moreau Blanc, Morillon, Morillon Blanc, Moulon, Noirien Blanc, Petit Chatey, Petit Sainte-Marie, Pino Shardone, Pinot Blanc a Cramant, Pinot Blanc Chardonnay, Pinot Chardonnay, Plant de Tonnerre, Romere, Romeret, Rouci Bile, Rousseau, Roussot, Rulander Weiss, Sainte Marie Petite, Sardone, Shardone, Weiss Silber, Weissburgunder e Weissedler.
Fontes: Foundation Plants Services Grapes, UC Davis; Distribution of the World´s Grapevine Varieties, OIV; Historical Genetics: The Parentage of Chardonnay, Gamay, and Other Wine Grapes of Northeastern France, Bowers, Boursiquot, This, Chu, Johansson, Meredith (1999); Vins de Bourgogne; Jancis Robinson; WineFolly.
Imagem: Foundation Plants Services Grapes, UC Davis