Conhecendo Barolo: como descrever os vinhos de suas sub-regiões?

Last Updated on 5 de janeiro de 2025 by Wine Fun

Barolo é um dos grandes patrimônios da vinicultura italiana. Esta denominação dá origem a alguns dos melhores vinhos da Itália, com um estilo inconfundível, no qual a Nebbiolo atinge algumas de suas melhores expressões. Porém, como em qualquer denominação de origem, podem existir diferenças significativas entre os vinhos. Isso é decorrência de diversos fatores, com destaque para variações de terroir, da safra ou mesmo das práticas adotadas pelos produtores.

Com vinhedos espalhados por onze comuni (equivalente a vilarejos), Barolo mostra uma variação significativa de terroir entre seus vinhedos. São diferentes composições de solos, altitudes e orientações, criando um verdadeiro quebra-cabeça para quem quer conhecer esta fascinante região de perto. Mesmo dentro deste contexto, porém, há sempre espaço para generalizações.

Uma delas á associar o estilo dos vinhos a cada um dos communi específicos. Você já deve ter ouvido que os vinhos de Monforte d’Alba são mais estruturados, enquanto aqueles de Verduno mostram maior elegância. Será que estas e outras generalizações fazem sentido? Nada melhor do que entender a opinião de Alessandro Masnaghetti, um dos grandes conhecedores da região e, possivelmente, o maior especialista mundial em mapas de regiões vinícolas.

Barolo

Abrindo os onze comuni, em ordem alfabética vem exatamente aquele que dá origem ao nome da denominação de origem, situado na fração sudoeste (em cor marrom no mapa abaixo). Porém, para Masnaghetti, Barolo não é um comune que dá origem a vinhos homogêneos. Algumas das principais MGAs da aldeia de Vergne, como Bricco delle Viole e La Volta, tendem a gerar vinhos de maior acidez e fruta mais fresca, por conta de sua maior altitude. Já as áreas mais próximas do vilarejo de Barolo (em vermelho no mapa) são mais baixas, trazendo vinhos com fruta mais negra e taninos generosos. Porém, eles se mostram mais elegantes e florais na direção de vinhedos clássicos situados a leste, como Cannubi e Castellero.

Os communi da Barolo DOCG

Castiglione Falletto

Por sua menor extensão, menores diferenças de altitude e solos mais homogêneos, é possível encontrar uma espinha dorsal comum entre os vinhos de Castiglione Falletto (em azul celeste no mapa). São Barolos equilibrados, elegantes e com taninos firmes. Há pequenas diferenças, com vinhos mais intensos provenientes da parte sudoeste, especialmente das MGAs Villero, Fiasco e Pernano. Já Rocche di Castiglione traz Nebbiolos mais elegantes e florais, características que se destacam também nos vinhos de Monprivato, um dos melhores vinhedos de todo Barolo.

Cherasco

Situada no noroeste da denominação de origem é o comune com menor área de vinhedos entre as onze. Por conta disso, tem como marca registrada vinhos de média estrutura, alta acidez e taninos clássicos.

Diano d’Alba, Grinzane Cavour e Roddi

Os vinhedos destes três comuni se situam na fração nordeste e trazem diversas características comuns em termos de altitude, geologia e microclima. Aqueles de Diano d’Alba tendem a mostrar mais diferenças, com alguns vinhos mais simples (Gallaretto) ou mais opulentos (Soprano e La Vigna). Já Roddi traz vinhos de estrutura média e notas terrosas, enquanto algumas MGAs de Grinzane Cavour mostram notas mais florais.

La Morra

Esqueça generalizações ao falar dos vinhos de La Morra (em verde no mapa). No passado, quando este comune era intrinsicamente ligado com a área de Annunziata, a percepção era de vinhos harmoniosos e que chegavam mais rapidamente à sua janela de consumo ideal. Hoje, porém, o quadro é muito mais complexo. Na MGA Santa Maria e áreas próximas (com exceção de Capalot e Roggeri) os vinhos são mais clássicos e sutis, enquanto Rivalta tem boa estrutura, mas menos que Annunziata. Por outro lado, a maior altitude gera vinho com fruta mais delicada em Serradenari, em contraste com os míticos vinhedos de Cerequio e Brunate, bem mais baixos, e que dão origem a vinhos austeros e clássicos.

Monforte d’Alba

Este comune (em marrom escuro, na parte inferior do mapa) geralmente é associado a vinhos mais estruturados e com longo potencial de guarda. A percepção é correta, embora MGAs como Ginestra, Mosconi e Bussia mostrem discreta rusticidade, enquanto os vinhos de Castelletto e partes de Perno e San Giovanni são mais frutados. Dentro deste comune, talvez a maior diferença fique para os vinhos das partes mais baixas de Bricco San Piero, com Barolos mais elegantes e delicados.

Novello

Assim como no vizinho comune de Barolo, há duas personalidades distintas. As áreas de Ciocchini-Loschetto e Corini-Pallaretta, de exposição oeste, produzem vinhos de menor estrutura que os vinhedos em torno de Ravera, já mais a leste e próximos do vilarejo de Barolo.

Serralunga d’Alba

Geralmente associada a vinhos mais austeros e que necessitam de mais tempo para atingir sua janela ideal de consumo, a área de Serralunga d’Alba é muito complexa. Portanto, cuidado com generalizações. A MGA Margheria, por exemplo, dá origem a vinhos elegantes e florais, enquanto Ornato traz potência e precisa de menos tempo para atingir seu pico. Dois de seus vinhedos mais conhecidos, Cerretta e Vignarionda, por sua vez, mostram características próprias.

Verduno

Associar os vinhos de Verduno (em verde claro no mapa) com maior elegância parece ser o caminho certo, embora existam claras nuances entre as diversas MGAs da área. Monvigliero, Massara e Riva trazem mais estrutura e austeridade, enquanto Breri e San Lorenzo di Verduno são mais sutis e florais. Já Boscatto e Rocche dell’Olmo dão origem a vinhos mais frutados e com coloração mais intensa.    

Fontes: Barolo MGA volume 1, Alessandro Masnaghetti, Paolo de Cristofaro; Entrevistas com produtores

Imagem: Consorzio di tutela Barolo Barbaresco Alba Langhe e Dogliani

Mapa: Affinamento in bottiglia

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