COVID-19 derruba consumo de vinho no mundo, mas há exceções

A pandemia tem tido impactos discrepantes sobre o consumo do vinho. Se as previsões iniciais indicavam uma forte queda no consumo ao redor do mundo, dados recentes de diversos países não indicam uma tendência única.

Por um lado, alguns países, como o Brasil, mostraram crescimento no consumo, mas a tendência geral na maioria dos mercados é de queda. Os principais motivos são a drástica redução do consumo de vinhos em restaurantes e bares e o menor fluxo de turismo.

Alguns saem ganhando

Se o Brasil viu o consumo de vinho bater seu recorde semestral na primeira metade deste ano, alguns outros mercados também trouxeram boas notícias.

Na Inglaterra, uma das maiores redes de venda de vinhos, a Majestic, viu sua base de clientes crescer em 150.000 pessoas, em paralelo a um aumento de 300% nas vendas online. Além disso, foi registrada uma mudança no perfil, com os clientes consumindo vinhos mais caros, refletido no aumento de 11% no preço médio por garrafa

Olhando o mercado britânico como um todo, as vendas de vinhos atingiram £2,4 bilhões durante a pandemia, um crescimento de 27% em relação ao mesmo período de 2019. E, assim como no Brasil, o principal motor de crescimento foi o segmento de vinhos de elaboração local, cujas vendas aumentaram 122%.

Mas a maioria sai perdendo

Por outro lado, o quadro parece bastante negativo na maioria do mundo, sobretudo nos países produtores. Dados da consultoria IWSR estimam que o consumo de vinho mundial deve cair cerca de 13,6% em termos de volume em 2020, podendo recuperar o patamar anterior somente em 2024.

O impacto da queda do consumo é significativo em alguns dos principais países produtores, onde, em geral, a parcela de consumo em bares e restaurantes é maior. Além da queda do consumo dos seus moradores, o efeito da redução do turismo foi significativo.

Um exemplo é a Espanha. As vendas para hotéis e restaurantes caíram cerca de 65% em termos de volume no primeiro semestre, frente ao mesmo período do ano passado. Também na venda em supermercados foi registrada queda, de cerca de 12%.

Em países com França e Itália, o melhor resultado de vendas online e através de supermercados não foi suficiente para compensar a forte queda nos volumes vendidos em bares e restaurantes.

Imagem: PixelAnarchy da Pixabay

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